Os dólares digitais superam o Bitcoin como o criptoativo mais comprado na América Latina, revela relatório da Bitso
Os ativos mais adquiridos em 2025 foram stablecoins atreladas ao dólar americano, que representaram 40% das compras, enquanto o Bitcoin alcançou 18%.
A análise da Bitso apresenta tendências de comportamento dos usuários e a evolução do mercado cripto na Argentina, Brasil, Colômbia e México.
CIDADE DO MÉXICO, abril de 2026 – Ativos digitais atrelados ao dólar americano, como USDC e USDT, representaram 40% de todas as compras de criptoativos na América Latina durante 2025, superando pela primeira vez o Bitcoin, de acordo com a edição mais recente do relatório Panorama Cripto na América Latina 2025 da Bitso.
Os resultados refletem uma mudança estrutural na forma como os criptoativos estão sendo utilizados na região: cada vez menos como instrumentos especulativos e cada vez mais como infraestrutura financeira para poupança, pagamentos e transferências internacionais de valor.
Apesar da liderança das stablecoins nas compras, o Bitcoin continua sendo o ativo mais mantido nas carteiras, representando 52% das posições na região, o que sugere que os usuários estão construindo posições de longo prazo enquanto mantêm exposição ao dólar digital.
O relatório analisa dados de comportamento de quase 10 milhões de usuários retail da Bitso na Argentina, Brasil, Colômbia e México.
As stablecoins se consolidam como infraestrutura financeira
A predominância dos ativos digitais atrelados ao dólar reflete uma tendência regional mais ampla conhecida como dolarização digital, na qual dólares baseados em blockchain oferecem alternativas mais rápidas e acessíveis em comparação aos canais tradicionais do sistema financeiro.
Em toda a região, os ativos mais adquiridos em 2025 foram:
- USDC (24%)
- Bitcoin (18%)
- USDT (16%)
Essa mudança indica que os usuários estão priorizando estabilidade financeira e acesso à liquidez, em vez de estratégias de trading de curto prazo.
Bitcoin permanece como o ativo estratégico de longo prazo na região
Embora as stablecoins liderem a atividade de compra, o Bitcoin continua funcionando como o principal ativo digital de reserva de valor de longo prazo na América Latina.
As posições em Bitcoin permaneceram praticamente estáveis ano contra ano, passando de 53% em 2024 para 52% em 2025, sugerindo que os usuários mantêm uma exposição estratégica, em vez de rotacionar seus portfólios de acordo com ciclos de mercado.
Usuários mais jovens continuam entrando no ecossistema cripto apesar da consolidação do mercado
Contrariando a expectativa de que a adoção desacelere fora de ciclos de alta, usuários entre 18 e 24 anos aumentaram sua participação para 29% da base total, reforçando a ideia de que os criptoativos estão se tornando uma infraestrutura financeira básica para as novas gerações.
Ao mesmo tempo, um grupo menor de traders avançados — representando aproximadamente entre 8% e 10% dos usuários — continua concentrando uma parcela significativa do volume de negociação, refletindo um nível crescente de sofisticação do ecossistema.
Dois casos de uso estruturais coexistem atualmente na região
O relatório identifica um padrão estrutural central que está moldando a adoção na América Latina. Os usuários estão utilizando criptoativos simultaneamente como:
- um mecanismo de acesso a dólares digitais
- uma ferramenta de acumulação patrimonial de longo prazo
O relatório Panorama Cripto na América Latina 2025 analisa o comportamento de compra e de custódia nos quatro principais mercados da Bitso: Argentina, Brasil, Colômbia e México.
Desde 2024, a Bitso desenvolve análises semestrais e anuais sobre o comportamento de compra e a composição das carteiras de seus usuários em nível regional. Em colaboração com a área de Data Science da companhia, esses relatórios permitem observar a evolução do comportamento dos clientes, da composição dos ativos cripto e do nível de sofisticação no uso do aplicativo e da plataforma web.

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