Investimentos com liquidez diária

Tipos de investimentos com liquidez diária: um guia!

Existem coisas sobre investimentos que talvez você não saiba para quem perguntar ou pense que é tão básico que ninguém vai te explicar direito. Sorte a sua que existe o Blog da Bitso para te ajudar! No artigo de hoje o assunto é liquidez, uma palavra que talvez você já ouviu mas pode não ter entendido completamente.

A explicação mais reduzida do que é liquidez, quando estamos falando do mundo dos investimentos e aplicações financeiras, é o quão rápido você consegue transformar uma quantia de dinheiro que está investida em disponibilidade, ou seja, a possibilidade de uso desse dinheiro no tempo presente, de forma imediata. Ficou confuso? Então continue lendo esse texto que tudo vai ficar mais claro quando o assunto é liquidez.

O que é liquidez?

Partindo da definição simples que colocamos logo acima, vamos detalhar um pouco mais sobre o que é liquidez, de maneira bastante direta, com um exemplo que, se você ainda não passou, vai se ligar e se preparar para isso.

Dentro do mercado financeiro, de modo geral, as instituições que nele atuam buscam o tempo todo promover o encontro entre pessoas que possuem recursos sobrando e outras que estão buscando obter esses recursos. O custo disso são os juros, seja para atrair quem tem dinheiro a investir ou mesmo cobrar de quem pegou emprestado.

A diferença entre os juros pagos a quem empresta para essas instituições e o quanto quem delas pega emprestado chama-se spread bancário e é isso que compõe principalmente o que faz os bancos ganharem dinheiro – essa “venda de dinheiro ao longo do tempo”.

Vamos então para o exemplo. Você chega no seu carro que estava estacionado na rua e descobre que um caminhão bateu nele, arrebentou tudo. Hora de chamar a seguradora. Não se esperava aquele gasto do nada (e ninguém espera), mas você tem que pagar a franquia do seguro. De onde você vai tirar esse dinheiro?

De bate pronto quem nos lê do outro lado dessa tela deve ter pensado “da conta corrente, da poupança ou algo com rapidez”. É justamente essa rapidez em pegar dinheiro que esteja em algum meio para usar imediatamente que é a chamada liquidez dos investimentos.

Por um lado você precisa do dinheiro rápido e, do outro, a instituição financeira tem que te entregar aquele dinheiro. Essa quantia que você pode tirar a qualquer momento – seja para um momento de emergência como esse ou mesmo aquele que entra todo mês e sai quando as contas são pagas -, então, precisa estar em liquidez diária (ou imediata).

Para que serve a liquidez?

A maior utilidade da liquidez é servir, no fim das contas, como um verdadeiro caixa. A diferença é que, no lugar daquele porquinho de cerâmica no qual você deposita moedas e notas, a ideia aqui é que você encontre meios de deixar o dinheiro em um lugar seguro, rapidamente acessível, mas que rende juros, mesmo que pague menos do que outras alternativas de menor liquidez.

Temos os juros como o custo do dinheiro, isso já tratamos. Mas outra variável importante a se observar é quanto o dinheiro desvaloriza no tempo: essa é a inflação, aquela que corrói o quanto você consegue comprar entre um período e outro com a mesma quantidade de recursos.

Pelo lado de quem tem os recursos, a liquidez é importante para permitir que o uso seja rápido. Do outro lado da mesa estão as instituições que, como já falamos, vivem justamente do que pagam a quem empresta para eles e do quanto cobram de quem pega emprestado. Então, quanto mais tempo você deixa seu dinheiro lá, melhor para a instituição financeira e mais ela te paga.

O encontro dos dois conceitos (juros e inflação) faz com que, na prática, quanto mais líquida for uma aplicação, menos a instituição irá te pagar. Afinal de contas, se a qualquer momento é possível sacar os recursos (eles não ficarão “congelados” por um tempo antes disso ser possível), tanto a possibilidade de sofrer com a inflação quanto da instituição fazer mais dinheiro emprestando pros outros se reduzem consideravelmente.

A situação contrária também é verdadeira: quanto menor for a liquidez de um investimento, teoricamente faz mais sentido que ele tenha um retorno maior, porque você estará trocando colocar o dinheiro em qualquer outro lugar para deixá-lo ali – o que é chamado também de custo de oportunidade. Por essa maior previsibilidade na retirada do dinheiro da aplicação, o banco (ou quem tiver te emprestando) topa pagar um pouco mais para você manter o dinheiro ali por mais tempo.

Tipos de investimentos com liquidez diária ou rápida

Até então você já descobriu sobre o que é liquidez e para que serve. Vamos então a um aspecto mais prático: quais são as possibilidades de investimentos que possuem a maior liquidez possível? Vamos falar de três aqui: a poupança, o CDB de liquidez diária e o Tesouro Direto (especificamente o Tesouro Selic).

Poupança

“Poupança? Como assim?”. Lembra do exemplo que demos sobre precisar do dinheiro com rapidez? Então: a poupança tem um rendimento mais baixo, de fato, mas no momento em que você resgata recursos dela não existe Imposto de Renda. Já pensou, além de ter de pagar uma franquia de seguro, arcar com um imposto que você nem estava esperando?

Lembre-se sempre de uma coisa óbvia: ter algum rendimento é melhor que ter rendimento zero. Se a poupança lhe parece ruim, pior ainda é deixar o dinheiro embaixo do colchão sendo corroído pela inflação e sem retorno algum.

Há quem não considere a poupança como sendo um investimento. Tudo bem, pode ser este o seu caso e não há problema algum nisso. Só não se esqueça que quando o assunto é a necessidade de ter dinheiro rápido, essa aplicação é a mais barata e rápida, mesmo que pague menos. E, convenhamos: em emergências você quer resolver, não saber o quanto rendeu.

A correção deste instrumento é mensal, no chamado “aniversário”: toda vez que se completa um mês que você colocou dinheiro lá, o rendimento aparece. E tudo isso com juros simples, ou seja, a correção acontece sempre sobre o montante aplicado inicialmente. É fácil de encontrar: talvez sua conta no banco seja até dupla (corrente e poupança).

CDB

O segundo tipo de investimento de liquidez diária é possivelmente o mais conhecido e que chama mais atenção, o CDB (Certificados de Depósito Bancário). Nessa opção, a ideia é que você tenha acesso ao dinheiro sim com rapidez, mas o rendimento é maior porque há expectativa da instituição financeira de que você deixe os recursos lá por mais tempo.

Neste caso existem dois impostos: o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) se você resgatar em até 30 dias e o Imposto de Renda a qualquer momento que você sacar, em tabela regressiva (você paga menos se deixar mais tempo). Já os rendimentos, esses são diários e em juros compostos (juros sobre juros).

Costuma ter um rendimento maior que o da poupança e ser ligado ao chamado CDI, que é uma taxa que os bancos pagam entre si quando emprestam dinheiro e é um pouco menor do que a SELIC. Você consegue encontrar esse tipo de investimento de liquidez diária facilmente no banco que tiver conta ou em alguma corretora (que coloca para “vender” CDBs de bancos).

Tesouro Direto

Já o terceiro tem ganhado mais atenção nos últimos anos, principalmente quando em função das nossas taxas de juros serem quase sempre altas: o Tesouro Direto. Ele é, na prática, um meio que você tem de comprar diretamente a dívida do governo, em troca de juros. O mercado no qual esses títulos são negociados é diário.

São três os títulos possíveis: pré-fixado (com uma taxa combinada desde o começo), pós-fixado (o que é ligado a Selic) e pós-fixado com parte combinada (que te paga o IPCA, que é a inflação ao consumidor, mais alguma taxa). O pré-fixado e o pós-fixado com parte combinada oscilam todos os dias de acordo com compras e vendas no mercado, mas o Tesouro Selic vê a taxa ser corrigida para cima todos os dias.

Os impostos aqui são como no item anterior: IOF se você decidir resgatar os recursos dentro de 30 dias e IR a qualquer momento. O que muda aqui é o rendimento, que é literalmente a taxa Selic do período em que você manter o dinheiro investido lá.

A ideia de apontar o Tesouro Selic como sendo uma alternativa de investimento em liquidez diária é pelo fato de que seu rendimento é o maior desses três e o mercado de suas negociações está aberto todos os dias úteis. Para comprar e vender você precisa ter uma conta em corretora que negocie dentro do Tesouro Direto (quase todas fazem isso).

Vale citar que no caso dos títulos do Tesouro o processo de resgate do dinheiro demora um pouquinho mais, mesmo que seja feito no mesmo dia. Afinal, o dinheiro cai na conta da corretora em algumas horas e você ainda precisa transferir para a sua conta corrente para sacar ou pagar o que está sendo cobrado. Se precisar de liquidez imediata, talvez o CDB e poupança sejam as melhores alternativas.

Entendendo sua necessidade de liquidez

Investimento em liquidez diária é tudo igual? Na verdade, não. É sempre importante colocar na mesa qual a necessidade de liquidez que você precisa – mesmo que os três sejam imediatos nesse quesito. Parece loucura, mas vamos a um exemplo do dia a dia.

Suponha que você tem três contas diferentes para pagar: as da sua casa, que todos os meses acontecem; aquelas que acontecem anualmente (IPVA, IPTU, seguro do carro); e as que você se planeja em um prazo mais longo, mas que sabe que vão acontecer as saídas, como uma viagem em família daqui há dois anos, por exemplo.

É claro que isso é uma sugestão, mas, seria mais razoável, utilizando os três tipos de investimento/alocação com liquidez diária que apontamos, você colocar o dinheiro de uso em todo mês na poupança (que paga menos mas não custa em IOF e IR na saída), as anuais no CDB (em que você pega o rendimento do ano todo) e as de prazo mais esticado em Tesouro Selic (para pegar a Selic do tempo todo até lá).

Outro aspecto que vale a pena pensar é se você já está preparado para emergências antes mesmo de começar a guardar dinheiro para outras questões.

Liquidez e a reserva de emergência

Reserva de emergência é aquele colchão de liquidez imediata que te salva de problemas de curto prazo. Lembra do exemplo de ter encontrado seu carro batido por um caminhão como uma lata de sardinha? Então: independente de onde o dinheiro está, ele está em liquidez imediata e te ajudou porque estava ali facilmente disponível.

Um meio fácil de pensar sobre a importância de uma reserva de emergência é quando você pensa nos soldados do front em uma guerra. São eles quem tomam as primeiras pancadas e que permitem que as tropas que vêm a seguir tracem estratégias sobre o avanço que farão em seguida. Para ter uma vida financeira tranquila, pense em ter uma e mantenha os soldados do front de batalha sempre ali (se precisar usar recursos, reponha depois).

São muitas as possibilidades de se pensar em uma reserva de emergências, mas o melhor jeito possível é pensar em quanto você gasta por mês para manter sua vida e ter alguns meses guardados, em liquidez imediata, para o caso de emergências ocorrerem. Mesmo sem ter como planejá-las, elas acontecem aos montes na vida.

Dica para montar sua reserva de emergência

Fica ainda mais sofisticado quando você pensa na possibilidade de ficar sem receber dinheiro. Um exemplo prático vai ajudar: imagine que sua estrutura de gastos mensais seja de R$3.000.

A imensa maioria de quem nos lê está em uma das seguintes três situações no mercado de trabalho: trabalha para o governo, tem emprego na iniciativa privada ou é empreendedor.

Em sendo servidor público, as chances de ficar sem receber são menores do que quem é empregado. Quem é empregado pode ser demitido, mas terá o FGTS para dar uma mãozinha. Já quem empreende pode ver o dinheiro que entra variar muito e por muitas vezes.

Se você precisa de uma regra de bolso para montar a sua, lá vai uma: sendo servidor público, mantenha o equivalente a três meses das suas despesas como Reserva de Emergência; caso seja da iniciativa privada, guarde seis meses; e se estiver empreendendo, busque ter doze meses ali. Independente da quantidade de meses, não se esqueça que aqui a liquidez deve ser imediata ou muito próxima disso!

Pode parecer – e geralmente é – bastante desafiador montar uma reserva de emergência. Mas se você quiser ter uma vida financeira mais tranquila e sem muitos sustos, pense em formar uma!

Pra resumir a ópera, isso aqui é o que importa

Liquidez, que é o quão rápido você consegue transformar números que vê aplicados em uma conta em dinheiro para ser usado. Existem diferentes tipos e possibilidades e é preciso que você avalie com cautela sobre onde cada uma dessas necessidades será cumprida.

É possível que você esteja se perguntando agora “mas não vão falar qual é o melhor investimento de liquidez diária?”. Pois é, isso seria assumir que sabemos de antemão qual sua situação financeira e, no fim das contas, isso seria bastante pretensioso de nossa parte.

Esperamos ter ajudado a você com mais esse artigo aqui do Blog da Bitso não só explicando sobre o que é liquidez como também te ajudando a aplicar em sua vida financeira os benefícios da liquidez imediata. Ah, mas e quando a liquidez não for imediata? Nesse caso o assunto fica um pouco mais complicado, mas você também pode aprender sobre isso conosco!

Graduado em Economia Empresarial e Controladoria pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FEA-RP/USP) e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem mais de cinco anos de experiência na gestão financeira de negócios que têm contato com o agronegócio e é Head de Conteúdo do Terraço Econômico. Acredita que a revolução que as criptomoedas trazem tem muito mais a ver do que os valores de mercado envolvidos - e que isso tudo pode ser até maior do que a própria internet.