A minha inflação é diferente da sua

Imagem de astronauta na frente de espaço com flechas apontando para cima.

Alguma vez na sua vida você já pensou “essa inflação aí do noticiário é bem diferente da que eu encontro no supermercado”? Se sim, saiba que você não errou nessa análise. 

E nem o índice de inflação está errado. A grande verdade é que a inflação de cada pessoa é diferente – e é exatamente sobre isso que iremos falar no artigo de hoje.

Caso você não tenha familiaridade com o assunto, inflação é, de maneira bastante simplificada, o avanço dos preços ao longo do tempo. Esse avançar dos preços tem tudo a ver com a sua sensação (que na verdade é uma realidade) de que o dinheiro hoje vale menos do que há algum certo período de tempo. 

E, acredite se quiser, esse avanço de preços é diferente para diferentes pessoas.

IPCA: a inflação oficial calculada pelo IBGE

Todas as vezes que você vê no telejornal ou em qualquer lugar na internet a respeito do quanto a inflação avançou ou não, aqueles dados se referem na enorme maioria da vezes ao IPCA, sigla dada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, medido pelo IBGE e considerado como a inflação oficial do país.

Um índice serve para acompanhar uma mesma coisa ao longo do tempo e saber para onde caminham os preços dessa cesta de produtos. Quando falamos do IPCA, esse conjunto de itens (que é chamado de cesta de produtos e serviços) é dividido em nove categorias para formar o Índice Geral: Alimentação e bebidas, Habitação, Artigos de residência, Vestuário, Transportes, Saúde e cuidados pessoais, Despesas pessoais, Educação e Comunicação.

Dentro de cada um desses itens, existem todos os produtos e serviços que encontramos no dia a dia, desde os produtos da cesta básica como arroz e feijão, serviços mais específicos como corte de cabelo e até mesmo passagens aéreas.

Outro detalhe importante sobre o IPCA é a faixa de renda que ele olha: são as variações de preço que as famílias que ganham de um a quarenta salários mínimos por mês encontram. Então fica fácil entender por qual motivo o IPCA é o índice de inflação oficial: ele olha uma faixa grande de renda e uma cesta enorme de produtos e serviços. 

Olhar para ele significa avaliar como os preços variam em média na economia. E a ênfase no termo ‘em média’ faz toda a diferença!

Mas e a minha inflação?

A inflação pessoal é calculada de maneira muito mais específica, porque vai variar de acordo com o quanto você consome de certos produtos e certos serviços. Acreditamos que alguns exemplos podem explicar de maneira mais direta tudo isso, então vamos a eles!

Exemplo 01: Maria, dona do restaurante

Maria tem um restaurante na Zona Sul de São Paulo e todas as vezes que vê que saiu o novo IPCA já pensa imediatamente “não faz sentido nenhum isso, é muito maior na realidade”. A impressão de Maria na verdade tem relação direta com os custos que ela vê aumentarem e que mais impactam para ela.

E quais custos seriam esses? A conta de energia, o gás de cozinha e os alimentos, basicamente. Todas as vezes que qualquer um desses itens sobe, o peso da inflação pessoal da Maria como dona do restaurante sobe.

Exemplo 02: João, motorista de aplicativo

Levando pessoas de um lado para o outro todos os dias, João quando ouve no rádio sobre a inflação oficial logo esbraveja: “quero ver como seria essa inflação aí se rodassem de carro o dia todo como eu faço!”. 

Ele não está errado, só está olhando a própria inflação e não o geral da cesta de produtos e serviços que o IPCA mede. Para João, são mais impactantes os custos de combustíveis e peças automotivas. Qualquer variação nesses é sentida de maneira muito direta por ele.

Exemplo 03: Joaquina, a executiva de multinacional

Temos aqui uma pessoa que passou por grandes mudanças durante a pandemia e uma delas certamente foi o modo de se relacionar com as filiais da empresa onde é executiva. A quantidade de viagens que precisa fazer diminuiu muito, tendo em vista que agora boa parte das reuniões acontece por algum aplicativo em seu celular.

Em todo caso, ela ainda viaja com certa frequência para visitar essas filiais e, no fim das contas, como a empresa tem um limite de reembolsos com esses gastos, todas as vezes que as passagens de avião e as diárias de hotel sobem ela fica bem atenta porque sabe que a conta vai ficar salgada em algum momento futuro.

Como calcular a inflação pessoal?

Até agora você já entendeu mais sobre o que é inflação, qual a inflação oficial e como as pessoas têm inflações diferentes entre si. Mas como seria possível calcular qual sua inflação pessoal?

A resposta está muito relacionada a uma coisa específica: quais são os produtos e serviços que você mais consome. Na prática, esses são os itens que, quando seus preços oscilarem para cima, mais vão pesar no seu bolso.

Não é a conta mais simples do mundo de se fazer, porque acabamos consumindo diversos produtos e serviços diferentes – pense por exemplo na última vez que você foi ao mercado em quantos itens estavam em seu carrinho de compras. 

Porém, duas dicas são úteis para te ajudar nessa missão.

A primeira dica: agrupe as despesas em tipos específicos (mais ou menos como fazem no IPCA). A segunda: veja quais são os gargalos das suas despesas, porque eles terão mais impacto quando passarem por variação.

Se você pensou “como assim gargalos?”, basta retornar aos três exemplos que demos: para Maria, os grupos alimentos e energia (incluindo a eletricidade e o gás) são os mais impactantes; para João, combustíveis e peças automotivas impactam mais; e no caso de Joaquina as passagens aéreas e os custos com hotéis são os que mais pesam.

Como se proteger da inflação?

Infelizmente a inflação acaba chegando a todas as pessoas, principalmente quando estiver espalhada entre os diversos itens da cesta medida pela inflação oficial – quanto mais estiver em itens diferentes, maior a chance de que esteja nos que mais impactam para você. 

Em todo caso, existem alguns truques que ajudam a reduzir os impactos dessa variação de preços.

Use o tempo a seu favor

Se você já sabe quais são os itens que mais impactam para você, evite a situação em que só se procura aqueles produtos ou serviços na última hora. Todas as vezes que você precisar procurar algo “para ontem” lembre-se que vai pagar o preço que te cobrarem por aquela necessidade. 

Sendo algo que pode ser comprado antes, faça isso.

Pesquisa ajuda bastante

Talvez você tenha pensado “tá, mas como compro gasolina antes?”. De fato, existem muitos itens que precisamos comprar apenas quando há necessidade, não podendo estocar ou antecipar de alguma maneira. 

Nesse caso, pesquise locais que vendem com um preço melhor ou até mesmo que tenham alguma possibilidade de te vender mais barato. Existem bandeiras de postos de combustível, por exemplo, que te dão desconto se você abastecer com o aplicativo..

Absorvendo aumentos com câmbio, investimentos ou criptos

Essa possibilidade fica um pouco mais restrita a pessoas que conseguem guardar dinheiro ao longo do tempo, mas se este for seu caso, pode ser bastante útil. Existem meios de deixar seu dinheiro acompanhar de certa forma o avanço dos preços. 

São casos bastante específicos, mas pode acontecer com você.

Se um de seus gargalos é algum item que é cotado em dólar, por exemplo, pense em ter algumas unidades da moeda ou até mesmo um pouco investido em algum fundo de câmbio, porque assim pelo menos parte das variações estará sob seu controle.

Outra possibilidade é usar outros investimentos ou até mesmo criptos contra a inflação. Aqui provavelmente o planejamento é mais amplo e de prazo maior do que se você se utilizar de mecanismos de câmbio, mas conseguindo “casar” as variações de itens que impactam muito para você com fluxos de investimentos ou variações em criptomoedas, pode ser uma boa saída para reduzir os impactos em sua inflação pessoal.

Saiba sua inflação pessoal e tome melhores decisões!

Inflação é um fenômeno da economia que preocupa a todos, principalmente quando chega a itens que estão mais presentes em nosso dia a dia e quando todos estão falando (e você percebe rapidamente) que está mais elevada do que se imaginava. 

Sim, os preços sempre vão variar de uma forma ou de outra, mas nos deixam preocupados quando isso acontece de maneira muito brusca.

O grande trunfo de saber qual é sua inflação pessoal está em procurar meios de reduzir os impactos no seu dia a dia. Não é a coisa mais tranquila do mundo e talvez você que nos lê tenha pensado até que é impossível, mas com as dicas que te apresentamos aqui, pelo menos algum alívio você pode conseguir ter se colocar esses ensinamentos em prática.
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Graduado em Ciências Sociais (UFRGS) e em Ciências Econômicas (UFRGS), mestre e doutor em Ciência Política (UFRGS). Entusiasta de tecnologia blockchain e do mercado de criptoativos desde 2020, está na Bitso desde janeiro de 2021, atuando como Content Marketing Strategist.