Uma bola de cristal com um Bitcoin dentro representando os contratos futuros de Bitcoin

Como funcionam os contratos futuros de Bitcoin? + Exemplos práticos

Toda vez que você compra ou vende um ativo, está fazendo isso no chamado mercado à vista, ou como também é conhecido, mercado a termo. Mas e se fosse possível comprar, com base na sua expectativa do preço daquele ativo num período futuro, o direito de comprar ou vender aquele mesmo ativo por um preço determinado? Na verdade, são esses os contratos futuros.

Neste artigo você terá dois ganhos quando chegar até o final: conhecer um pouco sobre o que são contratos futuros, o funcionamento desse mercado e ainda entender como funciona no caso do Bitcoin, no qual você também pode operar contratos futuros. 

Se tudo isso te parece confuso, esse texto vai te ajudar a desmistificar tudo que envolve esse tema, ok?

O que é um contrato futuro?

Derivativo é o nome que damos a um instrumento financeiro que permite que você coloque suas expectativas sobre os preços de um ativo e, dessa maneira, possa ter certa previsibilidade e/ou ganho a partir disso.

Esse ativo que origina o contrato futuro costuma ser chamado de ativo-objeto. É sobre o preço desse ativo que as negociações sobre as expectativas de preços acontecem.

Contrato futuro é, então, quando você negocia o direito de comprar ou vender um ativo-objetivo em uma data futura (diferente da liquidação em tempo presente) a um determinado preço, podendo exercer ou não esse direito ao longo do tempo (antes dele existir) ou logo que ele virar realidade.

Parece confuso, mas assim que apresentarmos mais informações como os tipos de ativos e como funciona em termos práticos, certamente você se tranquilizará e poderá entender com mais calma.

Características do contrato futuro

Os ativos-objetos desses contratos podem ser diversos (como trataremos mais adiante), mas desde já vale apontar que, em muitos deles, é possível que você entre na transação em um contrato inteiro (que demanda um valor mais elevado) ou em um mini contrato (que é uma parte de um contrato cheio, em um valor bem menor).

Outro ponto que vale ser mencionado desde já é que nesse tipo de contrato é possível operar pela chamada alavancagem. Isso significa que você nem precisa ter o ativo para operar e ter o resultado (positivo ou negativo) multiplicado – quase como se você tivesse vários ativos-objetos a cada um que de fato existem. 

Guarde essa informação, ela fará diferença mais adiante.

O que é um mercado futuro? E para que serve?

Mercado futuro é o local onde são negociados os contratos futuros. É justamente nele que os derivativos que acabamos de explicar como funcionam são colocados na mesa e passam a valer de acordo com suas características específicas e ativo-objeto desejado.

Basicamente são duas as funções procuradas por quem está em mercados futuros: travar preços (o chamado hedge) ou especular com as variações de preços que ocorrem naquele derivativo até o dia de seu vencimento.

O primeiro caso costuma aparecer mais quando olhamos negócios do agro: evitando sustos no momento da safra, o agricultor pode, por meio desse tipo de derivativo, “travar” seus custos por exemplo em sacas de soja a um determinado preço; até o vencimento aquele preço oscila, mas, levando o título até o final, ele já saberá o custo desde o começo.

Em relação a essas oscilações ao longo do tempo está de olho o especulador, que é aquele investidor que busca obter ganhos nessas variações que acontecem no meio do caminho, comprando e vendendo esses tipos de contratos conforme oportunidades acabam surgindo.

Importante deixar bem claro desde já que você ter “travado” o preço futuro, como bem apresentado no exemplo, não é garantia de resultado positivo. Você, chegando ao final do contrato futuro, pode se deparar com uma diferença muito grande (para cima ou para baixo) daquilo que encontrou inicialmente.

Por isso, antes mesmo de entrar nesse mercado, seja com o objetivo de hedge ou mesmo de especular, lembre-se que essas variações elevadas colocam um risco igualmente elevado na operação.

Não entendeu como funciona? Vamos então a um exemplo numérico para facilitar a compreensão!

Me dá um exemplo, não entendi nada!

O mercado agrícola, por colocar contratos desse tipo sobre ativos físicos conhecidos (como milho, soja e afins) talvez facilite o entendimento. Vamos supor que a saca de soja esteja a R$200,00 e que você, que usa soja como insumo produtivo em sua indústria, travou um contrato futuro de 25 mil sacas de soja a este preço, para daqui seis meses.

O valor total desse contrato travado é de R$5.000.000,00. É esse o preço, daqui a seis meses, que você pagará.

Agora suponha que tenham existido oscilações do preço de R$20 para mais e para menos. O que aconteceu? Se a saca de soja estiver em R$220 no dia do fechamento, você se deu bem, pois pagará R$5 milhões por um montante que agora vale R$5,5 milhões; agora, se caiu para R$180, você pagou os mesmos cinco milhões pelo que vale R$4,5 milhões.

Se por um lado você pode ter a perda ou ganho com essa operação conforme descrito acima, no meio do caminho especuladores podem ter comprado ou vendido esse contrato (esse direito de exercer a compra/venda) de acordo com oscilações que aconteceram no dia a dia durante esse período.

A lógica para comprar (ou vender) um contrato futuro

As possibilidades e exemplos são inúmeros, mas a lógica segue sendo a mesma: há quem decide fixar no futuro uma opção de compra e venda para dar previsibilidade a seus custos e, de outro lado, quem compra e vende esses contratos futuros buscando obter resultados positivos nessas oscilações.

A diferença entre quem segura o contrato futuro até o fim (provavelmente por estar fazendo hedge) e quem decide buscar ganhos nas oscilações (especuladores) é que, no segundo caso, é preciso arcar com as margens do que apontar, de acordo com suas expectativas.

Funciona mais ou menos assim: se sobre aquele contrato fechado em R$200 por saca de soja quem especula tiver a expectativa de que na verdade o preço termine a R$210, enquanto o preço estiver abaixo disso é preciso pagar um valor de margem e, tendo o preço ficado acima disso, a cada oscilação existem ganhos a serem recolhidos.

Diríamos então que a maior diferença entre quem segura até o fim e quem decide lidar com as oscilações é sobre os valores que vai arcando com no meio do caminho.

Ah, outra informação importante: é possível que, no meio do caminho, mesmo quem esteja fazendo hedge opte por “fechar” a operação. Basta que encontre em outra ponta alguém disposto a comprar aquele contrato futuro.

Os três principais tipos de contratos futuros

Até agora frisamos sobre como o agro está presente nos mercados futuros de maneira marcante, mas ele é apenas uma das três mais presentes possibilidades:

  • Commodities: seja do agro (como soja, milho, arroz) ou mesmo ligados ao mundo da extração (petróleo, ferro, bauxita), o que é comercializado de maneira homogênea em todo o mundo com altas chances terá presença nos mercados futuros;
  • Índices de bolsas: para além das negociações no mercado à vista, com os mercados futuros é possível que possamos verificar as expectativas sobre como aquela cesta de ações pode estar amanhã;
  • Moedas: se por um lado você pode se perguntar onde o dólar está hoje, que tal tentar entender sobre quais as expectativas do mercado sobre onde estará amanhã? Graças aos mercados futuros de câmbio você pode verificar essas informações todas.

Em sendo um derivativo, muitas outras possibilidades podem estar presentes quando o assunto são os mercados futuros. Dado o tamanho da atenção que têm chamado (e do mercado que movimenta), é claro que as criptomoedas não ficariam de fora dessa.

Atualmente o mais relevante desses mercados é o de contratos futuros de Bitcoin. Vamos entender um pouco mais sobre isso.

Como funcionam os contratos futuros das criptomoedas?

Usando tudo que você aprendeu até aqui, possivelmente sua mente já completou o que está escrito nessa parte: contratos futuros de Bitcoin são aqueles que têm como ativo-objeto o Bitcoin e, dessa maneira, trabalham sobre a oscilação dos preços da criptomoeda (para quem especula) e fornecendo a possibilidade de “fechar” preços no futuro para quem espera até o fim.

Porém, em relação a todos os outros mercados futuros, o de Bitcoin apresenta uma novidade: na imensa maioria dos casos nada em mares não regulados. Se por um lado isso oferece mais liberdade e possibilidades, por outro isso pode significar que algumas garantias jurídicas dos contratos futuros comuns não existem aqui – e isso pode te deixar em problemas.

Outro ponto a ser ressaltado aqui é que, pela natureza volátil das cotações das criptomoedas (elas oscilam demais em seus preços), esses mercados que já são por natureza uma fonte de incertezas passam a ficar ainda mais voláteis e, portanto, mais arriscados.

Quem acompanha cotações de criptomoedas sabe: oscilações que podem demorar semanas, meses e até anos em índices e commodities podem ocorrer em ciclos muito curtos (de até 24h) quando falamos das moedas digitais. Adicionando a isso o tempo entre quando o contrato futuro é firmado e quando é concluído, há ainda mais variação a ser colocada na conta.

4 vantagens dos contratos futuros das criptomoedas

As vantagens mais notáveis da operação em mercados futuros, incluindo quando falamos dos contratos futuros de Bitcoin, são:

  • Baixo custo de entrada: enquanto para comprar uma unidade de Bitcoin o valor é elevado, o olhar sobre as oscilações (ou o travar de preços) da moeda digital demanda um valor bem menor para ser efetivado;
  • Alavancagem: mesmo sem possuir o ativo-objeto, apenas pagando a margem da operação, é possível não só estar atuando nos mercados futuros como também multiplicar os resultados;
  • Flexibilidade: por mais que os contratos futuros de Bitcoin tenham prazo (como acontece com os outros contratos futuros), é possível fechá-los antes do prazo final caso alguma mudança grande de expectativa aconteça;
  • Liquidez: se parece complicado comprar um Bitcoin, quando falamos dos contratos futuros da moeda digital a liquidez é muito maior (pelo custo baixo de entrada e pela flexibilidade envolvidas).

Sim, essas vantagens também ocorrem quando falamos dos demais contratos futuros que existem em outros mercados. Como já apresentado, possivelmente a diferença aqui seja de que existe nos outros casos uma regulação que traz mais garantia em casos específicos que podem demandar disputas judiciais.

4 desvantagens dos contratos futuros das criptomoedas

Antes de tomar qualquer decisão não basta ver apenas quais são as possibilidades positivas envolvidas, é preciso estar ciente também dos riscos. Assim sendo, estão listadas a seguir as quatro maiores desvantagens desses mercados, incluindo o de Bitcoin:

  • Volatilidade: “fixar” o preço futuro não significa que você deixe de estar passível de lidar com as oscilações do caminho; isso é ainda mais verdadeiro quando falamos do quanto variam as cotações das criptomoedas;
  • Risco elevado: essa operação não é indicada para quem está iniciando ou que tem um perfil de investidor conservador, pois a oscilação pode ser tamanha que, no limite, você pode perder todo o valor investido; alavancado, então, as consequências de uma decisão que resulta em perda podem ser ainda mais complicadas;
  • Depósito e chamada de margem: se por um lado o custo de entrar pode ser razoavelmente baixo, por outro temos que enquanto o resultado desejado naquela especulação não acontece, você precisa arcar com as diferenças; e, num caso extremo de variação que fuja do que você espera, a chamada de margem (quando é necessário arcar com uma grande variação pagando um valor enorme) pode ser muito pesada;
  • Nem sempre terá mercado: sim, a liquidez é grande e o custo para entrar razoavelmente baixo; mas se não tiver alguém do outro lado topando fechar aquela operação que você deseja, será preciso arcar com aquele caminho todo de oscilações (o que pode ser financeiramente bastante danoso também).

As quatro maiores desvantagens são reunidas em uma palavra: risco. É preciso conhecer muito bem sobre o ativo-objeto antes mesmo de tomar alguma iniciativa dentro de seu mercado futuro.

Então, no fim das contas, isso é o que importa saber

Todo derivativo demanda cautela. Conhecer o ativo-objeto e suas perspectivas – e um tantinho de apetite a risco – são fundamentais se você quiser começar a operar nesse segmento.

Por enquanto, quando falamos de criptomoedas, temos apenas os contratos futuros de poucas criptos, como Bitcoin, Ether e algumas outras, o que demonstra um certo amadurecimento deste mercado. Mas lembre-se: aqui no Blog da Bitso discutimos sobre diversos outros projetos de moedas digitais. Quem sabe mais alguns deles não possam entrar para os mercados futuros, não é?

Independente de qual seja o ativo, é importante se atentar aos detalhes aqui apresentados e conhecer muito bem o mercado que quer entrar. Como diz aquela conhecida frase.”quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho”.

Bitso Brasil
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