Criptomoedas brasileiras: conheça mais sobre os projetos criptos nacionais!

Você leitor do nosso blog já está acostumado com o universo das criptomoedas e suas diversas possibilidades. O mercado dos criptoativos está em constante expansão e pelo menos alguns novos tokens surgem todos os dias. Mas se você está chegando agora e não está tão por dentro desse assunto, vamos retomar alguns conceitos de cripto antes de falarmos do nascente ecossistema brasileiro de moedas digitais e tokens, beleza?

Uma criptomoeda é como uma forma digital de dinheiro. Você pode usá-lo para pagar aos amigos sua parte da conta do bar, comprar aquele novo par de tênis que você estava de olho ou reservar voos e hotéis para suas próximas férias. Como a criptomoeda é digital, ela também pode ser enviada para qualquer pessoa ou negócio ao redor do mundo. As criptomoedas não possuem limites geográficos no uso como as moedas tradicionais. 

Nesse modelo não há uma organização centralizada como é o sistema financeiro tradicional. Você, seus amigos e milhares de outros podem agir como seus próprios bancos executando software livre. Seu computador se conecta com os computadores de outras pessoas, o que significa que você se comunica diretamente – sem necessidade de intermediários. O registro das transações e o que mantém o sistema funcionando são as blockchains que usam todos esses computadores em rede para processar e registrar cada nova transação, bem como para garantir que aquela moeda que você pagou ou recebeu é verdadeira. 

Um blockchain é um banco de dados descentralizado que é compartilhado entre nós (cada nó é um computador em específico) de uma rede de computadores. Como um banco de dados, um blockchain armazena informações eletronicamente. Blockchains que antes eram uma palavra obscura para especialistas de computação se tornaram super conhecidos por seu papel crucial de ser a espinha dorsal do sistema de várias criptomoedas, como o Bitcoin

Como não existe um sistema financeiro ou autoridade central como um Banco Central para manter um registro seguro e de transações, o Blockchain faz exatamente isso, um registro inviolável e descentralizado  – cada nó da rede tem toda a informação –  de todas as transações realizadas.

A grande inovação da blockchain é que ela garante a fidelidade e segurança de um registro de dados e gera confiança sem a necessidade de um terceiro confiável ou que uma autoridade central diga que tais dados são legítimos. Aqui está a verdadeira revolução.

O ecossistema nacional: os projetos ‘brazucas’ 

Após o sucesso do Bitcoin e Ethereum, diversas outras criptos foram criadas, a maioria com alguma aplicação específica em mente. Assim como as criptos lá fora que vão sendo criadas para os mais diversos motivos, existem tokens para remunerar jogadores como o GALA, tokens para remunerar usuários que mantém um sistema de busca em blockchains funcionando como a GRT, além das stablecoins que tentam imitar a estabilidade e facilidade de uso de uma moeda fiduciária, como dólar e euro.. A mesma coisa está acontecendo no ecossistema local com diversas moedas e tokens estão surgindo com as mais diversas aplicações, algumas delas bem interessantes. 

Vamos ver algumas criptos locais que vem ganhando certa proeminência, algumas inclusive chamando a atenção de investidores estrangeiros.

Bitblocks (BBK)

BitBlocks é uma criptomoeda voltada para o mundo dos negócios e entretenimento, especialmente games e outras áreas que giram em torno deste setor, como campeonatos, eventos, feiras, congressos e desenvolvimentos de jogos. 

Sabemos que este setor está em rápida expansão em todo o mundo e que os games estão crescendo em uso e inclusive em público. O mercado de games cresceu para além do entretenimento e virou um esporte, os chamados e-sports onde grandes torneios acontecem e movimentam grandes quantidades de dinheiro. 

Brasil Samba Token (BST) 

O Brasil Samba Token (BST), um ecossistema pioneiro que tem como objetivo trazer novas oportunidades para projetos Brasileiros de Criptomoedas e incentivá-los. O token busca projetos confiáveis, disruptivos e inovadores para serem financiados por essa plataforma de crowdfunding. 

O Brazil Samba Token ($BST) será o token necessário para participar de todos os crowdfundings que serão realizados na plataforma. Importante frisar que para um projeto ser financiado pela plataforma, o token deverá cumprir determinados pré-requisitos como ser um projeto 100% brasileiro, exclusividade na pré-venda para holders do BST, possuir um white-paper estruturado (um documento que traz as especificações técnicas e de uso da cripto), passar por auditorias periódicas e várias outras características que garantam a viabilidade e funcionamento do token de forma segura e transparente. 

B2U Coin (B2U)

A B2U Coin (B2U) é uma moeda virtual brasileira que foi, por meio do aplicativo BitcoinToYou, posta em  pré-venda no início de setembro de 2020. Em sua primeira fase, a proposta do B2U Bank se mostrou inovadora, já que se busca a criação de um banco digital, incluindo cartões de crédito, débito e outras aplicações financeiras. 

Além disso, na fase dois, busca-se uma migração para uma blockchain própria e um protocolo de mineração bastante similar ao do Bitcoin. Uma das vantagens dessa cripto também está na mineração que pode ser realizada por smartphones, aumentando muito a capacidade de processamento da rede. 

Hathor (HTR)

A Hathor (HTR) é uma moeda virtual brasileira que, desde o início de 2021, chama muita atenção no mercado de criptomoedas, principalmente por buscar um processo mais simplificado de lançamento de tokens e pela capacidade de realizar milhões de transações por segundo. 

A moeda só era vendida por meio de transações internas de balcão, resultando em um volume baixo de negociação. Essa situação mudou no fim de 2020, uma vez que a cripto foi listada em uma grande corretora, o que elevou o volume e o valor das transações.

Lunes (LUNES)

A Lunes é a maior criptomoeda da América Latina. Foi desenvolvida usando soluções inovadoras, de forma descentralizada e, buscando solidez, adesão massiva, transações rápidas e baratas. A Lunes possui uma blockchain baseada na tecnologia NG (Next Generation), open-source e colaborativo. 

A blockchain da Lunes está preparada para armazenar e garantir a segurança de qualquer tipo de informação e pode ser usada para realizar diversos processos de forma descentralizada, bem como: registros de autenticidade de documentos, emissão de ativos digitais e execução de contratos inteligentes. Assim, pode ajudar a gerar um sub ecossistema no universo cripto local com essas funcionalidades.

Moeda Semente (MDA) 

Criada há 4 anos, a Moeda Semente é uma das principais criptomoedas brasileiras que aposta na criação de soluções tecnológicas de pagamento e em um marketplace blockchain que enfatiza a agricultura familiar. 

O projeto chamou a atenção do mundo e foi o único brasileiro selecionado pelo programa de aceleração da Mastercard. O crescimento da moeda levou-a para o universo das Finanças Descentralizadas (DeFI), levando ao lançamento da plataforma Moeda.Finance.

MOSS (MCO2) 

A MOSS é uma empresa brasileira pioneira na tokenização de créditos de carbono. Representado pelo token MCO2, o crédito permite compensar a pegada de carbono em atividades que emitem muitos poluentes, como por exemplo a quantidade de dióxido de carbono emitido por um voo que você pegou dentro do território nacional. 

Parte dos valores levantados são utilizados, por exemplo, em projetos de reflorestamento da Amazônia e outras iniciativas ambientais. 

O Banco Central também não vai ficar de fora: o real digital!

Com o aumento da adoção das criptos e com a chegada da tecnologia das blockchains, os Bancos Centrais globais estão começando a olhar a criação de moedas digitais tokenizadas, de forma a facilitar a inclusão de mais pessoas no sistema financeiro, principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil, onde ainda existem porções da sociedade que são não-bancarizados. 

O tema moeda digital do banco central (da sigla em inglês CBDC, Central Bank Digital Currency) tem chamado a atenção da comunidade global de bancos centrais. Uma parte significativa deles, representando quase a totalidade do PIB mundial, está estudando, explorando e testando projetos, aspectos operacionais e tecnológicos de um sistema de CBDC. 

A maior parte dos países vê nas CBDC’s o potencial de melhorar a eficiência do mercado de pagamentos de varejo e de promover a competição e a inclusão financeira para a população ainda inadequadamente atendida por serviços bancários tradicionais. A crise da pandemia evidenciou a importância de os instrumentos digitais de pagamentos chegarem aos segmentos mais vulneráveis e afetados da população.

No Brasil, o BC vem acompanhando o tema há alguns anos e em agosto de 2020 organizou um grupo de trabalho, constituído pela Portaria nº 108092/20, para a realização de estudos sobre a emissão de uma moeda digital pela instituição.

Isto é, em alguns anos poderemos ver o surgimento do real digital, e não só a nossa moeda, como a criação de versões digitais de todas as principais moedas do mundo, criando um verdadeiro sistema financeiro global que seja 100% digitalizado e operando em redes similares a blockchains. 

Um ecossistema que ainda irá crescer muito

O número de tokens brasileiros só irá continuar crescendo, cada vez mais empresas e desenvolvedores verão outras aplicações onde tokens poderão ser criados de forma a resolver algum problema ou transacionar um serviço específico. 

O exemplo da MOSS é bastante interessante e mostra como a tecnologia do universo cripto pode ser usada para lidar com um problema latente que é o aquecimento global, que pode ser minimizado com os créditos de carbono. 

Além disso, estamos vendo o crescente interesse de Bancos Centrais, inclusive do nosso. Importante dizer que o Brasil tem com o PIX um dos sistemas mais avançados do mundo de pagamentos instantâneos, então não seria surpresa alguma ver o nosso BC saindo na frente lançando o real digital, antes mesmos de países mais avançados. 

É importante lembrar que a tecnologia das criptos ainda é nascente e que diversos tokens para as mais diversas aplicações ainda vão surgir, como vários que também irão desaparecer. Isso é um processo natural de toda nova tecnologia e que isso não será diferente no cenário local da criptos e tokens.

Bora continuar aprendendo sobre o universo das criptomoedas? Então aproveite para olhar os artigos recentes daqui do blog da Bitso, beleza?

Graduado em Economia Empresarial e Controladoria pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FEA-RP/USP) e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem mais de cinco anos de experiência na gestão financeira de negócios que têm contato com o agronegócio e é Head de Conteúdo do Terraço Econômico. Acredita que a revolução que as criptomoedas trazem tem muito mais a ver do que os valores de mercado envolvidos - e que isso tudo pode ser até maior do que a própria internet.