Fantom (FTM): segurança, escalabilidade e descentralização

Dentro do universo cripto costuma existir um triângulo de possibilidades, aquela situação em que você apenas consegue atingir dois objetivos enquanto um terceiro fica de fora. Esses objetivos seriam segurança, escalabilidade e descentralização. O projeto que falaremos neste artigo, de nome Fantom, vem com o audacioso objetivo de conseguir os três pontos numa tacada só.

Muito provavelmente você chegou até esse artigo por ter descoberto que em 2021 a criptomoeda FTM, nativa dessa plataforma, teve uma variação positiva no seu preço de 13.000%. No que iremos apresentar aqui vai ficar um pouco mais fácil de entender como isso tudo aconteceu.

História da criptomoeda FTM

Levando em conta o universo cripto, podemos dizer que grande parte dos projetos relevantes acabam se relacionando com uma das duas maiores redes de blockchain: Bitcoin e Ethereum. A primeira abriu a porta para que tudo isso fosse viabilizado e a segunda representou um conjunto razoável de avanços. 

As duas avançaram muito em aspectos de segurança e descentralização, essenciais para a evolução das Finanças Descentralizadas (DeFi). Quando não resolvidas internamente algumas questões, por meio de outros projetos cripto ou mesmo de DApps algumas soluções começaram a surgir. Ainda assim, uma ponta seguia sendo problema: a escalabilidade.

Se segurança e descentralização são um pouco mais óbvias já pelos seus termos, escalabilidade talvez não seja tão trivial. Entenda escalabilidade como a capacidade que uma plataforma tem de crescer sem perder as características que lhe atribuem valor.

Isso pode parecer algo distante, mas fica fácil de entender quando lembramos do exemplo básico do Bitcoin sendo usado como moeda. A primeira transação comercial com Bitcoin foram duas pizzas adquiridas por 10.000 unidades, em 22 de maio de 2010. Naquele momento, por se tratar de uma rede bem menos utilizada se comprarmos a hoje, tal transação deve ter sido efetivada em poucos segundos. Hoje a mesma transação demoraria vários minutos e ainda demandaria taxas que custam talvez mais até que várias pizzas.

É justamente essa a dificuldade de escalabilidade trazida pelo crescimento: certamente há adaptações ao crescimento, mas, na média, fica bem mais complicado efetivar as mesmas transações de quando quase não havia uso.

Uma nova rede para novas possibilidades

Fantom surge nesse meio tempo como uma alternativa. Se podemos chamar Bitcoin de rede de primeira geração e Ethereum a rede que abriu uma segunda, temos no Fantom um exemplo direto de rede que promove certa atualização geracional.

A Fundação Fantom, criada para supervisionar serviços oferecidos por essa rede, foi criada pelo cientista da computação sul-coreano Ahn Byung Ik em 2018 e foi logo ao final do ano seguinte que a rede principal da Fantom, de nome Opera, passou a funcionar.

O objetivo dessa rede é de servir de alternativa para a rede blockchain Ethereum, desejando equilibrar os três itens do triângulo de possibilidades de uma vez só: segurança, descentralização e escalabilidade.

Fantom é, então, uma plataforma regida por contratos inteligentes que, de maneira descentralizada e com código aberto, serve para a transação de ativos digitais e também o desenvolvimento de DApps.

Para além de tudo isso, ainda oferece ferramentas que permitem a integração com DApps já existentes na rede Ethereum e, como incentivo para essa migração, oferece recompensas via staking.

Se você está se perguntando onde entra a criptomoeda FTM nessa sequência de inovações, aqui está a resposta: esse é o token interno que funciona dentro da rede, servindo como ativo financeiro e também como token de governança (cada unidade serve como um voto nas decisões on-chain solicitadas na rede).

Como funciona a rede Fantom?

Pode ser que todas essas características que elencamos até agora não tenham chamado sua atenção, mas é em função de tudo isso que o maior diferencial prático da rede Fantom acontece: as transações se dão de maneira consideravelmente mais rápida (são milhares de transações permitidas por segundo) e cada transação apresenta um custo de frações de um centavo.

O que possibilita que isso aconteça é o conjunto de tecnologias que estão envolvidas em sua operacionalização. Vamos a elas!

Lachesis e Opera: base do funcionamento da rede Fantom

São duas as camadas de tecnologia que permitem que a rede Fantom funcione. São vários os termos técnicos, mas não se assuste, iremos te auxiliar a entender tudo isso logo em seguida, combinado?

Lachesis: camada interna de funcionamento

A primeira camada, que envolve o chamado consenso geral, chama-se Lachesis. Nesta, temos a rede de proteção que fornece segurança e velocidade para as transações.

Aqui, temos um mecanismo de consenso Proof of Stake (PoS) que é Tolerante a Falhas Bizantinas Assíncronas (da sigla em inglês aBFT) através do uso de um Algoritmo Acíclico Direcionado (da sigla em inglês DAG). 

Mais importante do que entender como essas tecnologias funcionam em termos operacionais é saber o que elas trazem de novo. Vamos passo a passo, para você entender tudo!

Proof of Stake (PoS)

O consenso PoS significa que menos energia é utilizada nas transações, porque quem tiver mais unidades da criptomoeda (no caso a FTM) terá prioridade de decisão, o que é diferente do consenso Proof of Work (PoW) que leva em conta um uso intenso de capacidade computacional para se confirmar as transações.

Aqui temos então a vantagem de que sabemos desde o início que a quantidade necessária de energia para que uma transação aconteça assim como a capacidade dos equipamentos que fazem com que ela venha a ocorrer são menores.

Tolerância a Falhas Bizantinas Assíncronas (aBFT)

Quando falamos do aBFT, trata-se de um protocolo específico que permite que menos falhas ocorram. Falhas Bizantinas vêm de um cenário hipotético chamado de Problema do General Bizantino: suponha que quatro generais prestes a invadirem uma cidade estão em posições diferentes e sem comunicação instantânea, o que vai demandar extrema confiança nessa comunicação para que ela gere consenso.

Como confiar que todas as informações que forem repassadas entre eles sejam válidas? E se algum inimigo conseguir trocar um dos generais e mandar informações que sirvam apenas para desmontar a estratégia anteriormente colocada? São imensas as possibilidades que podemos encontrar de ocorrência de falhas bizantinas.

Soluções para Falhas Bizantinas são, então, quando se conseguem encontrar meios adequados para se resolver esse tipo de situação em que uma comunicação entre partes precisa chegar a certo consenso, mesmo que essas quatro partes sequer tenham a possibilidade de se comunicarem rapidamente – e é esse último aspecto que adiciona o ponto de assincronicidade.

Quando isso é levado ao campo das redes descentralizadas, a questão é direta: existem muitos nós dentro de toda rede blockchain pelos quais uma informação precisa passar e ser confirmada para que uma transação ocorra. O que acontece então se nessa rede alguns desses nós forem maliciosos, tiverem sido hackeados ou passarem informações incorretas por qualquer que seja o motivo?

Levando em conta as soluções em redes descentralizadas (como verificamos em blockchain), dizer que algo apresenta Tolerância a Falhas Bizantinas Assíncronas significa que se até um terço dos nós ali presentes na transação estiverem passando informações erradas, ainda assim os nós que estão passando a informação corretamente são capazes de autenticar a transação.

Ou seja, em resumo: essa tolerância indica que há muito mais confiabilidade sobre a rede como um todo em termos do que ela é capaz de autenticar como transações.

Algoritmo Acíclico Direcionado (DAG)

Temos aqui a maior das novidades em termos de tecnologia da rede Fantom. Enquanto uma rede blockchain demanda que os dados sejam enviados em blocos colocados em uma determinada cadeia, em um DAG temos as transações sendo registradas como em um gráfico, umas sobre as outras: isso traz muito mais rapidez a esse processamento todo.

A ideia é que os DAGs sejam capazes de substituir as redes de blockchain no futuro justamente por esse aumento de capacidade de processamento de transações.

A diferença prática entre DAGs e redes de blockchain é a seguinte: enquanto no blockchain temos uma longa esteira que recebe blocos um de cada vez, em um DAG temos, como uma árvore, vários nós que podem ser originados de um mesmo nó (então até existe sequência lógica, mas não é de um para um, mas de um nó para vários outros).

Graças a esse novo jeito de confirmar transações, muitas mais podem ocorrer ao mesmo tempo. Temos então um tempo por transação muito mais reduzido – e por isso que além de milhares serem processadas por segundo, também temos que uma transação individualmente não chega a demorar nem dois segundos para passar por esse processamento.

Opera: camada externa de desenvolvimento


Diferentemente do que vimos na complexa camada interna de funcionamento, aqui os mecanismos são um pouco mais simples: o que se passa é que são disponibilizados os meios de conexão entre o funcionamento interno da Fantom e os DApps não permissionados externos.

Essa conexão acontece com base na linguagem de programação Solidity e, através dessa conexão, os usuários podem interagir sem problemas com plataformas na rede Ethereum sem perder os benefícios da tríade que envolve fazer parte da rede Fantom.

Vantagens e desvantagens do token FTM

Dentre o campo das vantagens, temos que o token FTM faz parte de uma verdadeira revolução que acontece dentro de outra revolução. Se o blockchain foi capaz de trazer uma capacidade de acompanhamento e confirmação de transações, o DAG tem uma capacidade exponencial de levar isso adiante. Outros pontos importantes são a rapidez e o baixo custo.

Já quando olhamos as desvantagens, temos que ainda há um campo bastante amplo de desenvolvimento a ser colocado em prática e, certamente, um conjunto de mecanismos como o que forma o DAG da rede Fantom não vai ficar para sempre restrito a ela – o que sinaliza que a barreira a entrada não deve ser tão alta e os concorrentes logo surgirão.

A volatilidade também é um ponto de atenção. Desde quando foi colocada à disposição (em 2018) até janeiro de 2021, teve valor muito próximo de zero. Em 2021 chegou a superar US$3,15 em seu ápice (no mês de julho), em 2022 chegou a US$3,30 (seu maior valor histórico, em janeiro) e poucos meses depois já estava em um terço dessa cotação. Definitivamente não é uma stablecoin.

Como comprar e vender o token FTM?

Mesmo com toda essa volatilidade que acabamos de te contar, dificilmente esse conjunto de tecnologias não te chamou a atenção e, tendo tido esse efeito, provavelmente agora você se pergunta onde poderia encontrar essa criptomoeda para comprar.

Duas boas notícias: a primeira, que já te demos, é que a cotação é baixa (então é possível comprar um número razoável de unidades sem um custo muito alto); a segunda é que você pode fazer isso aqui na Bitso, com os passos a seguir:

  1. Abra sua conta na Bitso;
  1. Envie seus recursos fiduciários (reais) para sua conta na Bitso;
  1. Estando disponíveis os recursos, procure pela Fantom na aba de criptomoedas;
  1. Faça a conversão entre reais e Fantom/FTM. Você também pode fazer a conversão entre outras criptomoedas e FTM, beleza?

Viu só como é simples participar dessa revolução dentro de outra revolução? Conte conosco com conteúdos como esse aqui no Blog da Bitso para seguir explorando o universo cripto

O Time Bitso é formado por especialistas em criptomoedas, garantindo informações seguras e precisas sobre o mundo cripto.