Entenda o que é pool de liquidez e por que isso importa no mercado cripto?

A primeira coisa que se fala quando o assunto é o universo cripto são as possibilidades financeiras que ele traz. Primeiramente, em relação aos preços e suas variações impressionantes em relação a outros ativos da economia. Depois, é sobre as possibilidades diferentes que você tem em relação ao sistema financeiro tradicional.

O grande campo que trata sobre isso é o das chamadas Finanças Descentralizadas (ou DeFi) e, em grande parte dos projetos existentes nessa área, você verá a expressão pool de liquidez aparecer. Se isso já te causou dúvida, já te fez pensar ou, quem sabe, você não tem ideia sobre sequer onde perguntar sobre, veio ao lugar certo: esse é o assunto deste artigo!

Antes de tudo, um breve esclarecimento: se você quiser dar um passo atrás, cabe ver esse outro artigo aqui em que falamos sobre o que é liquidez e por quais motivos é importante que você saiba desse assunto. Dito isso, vamos adiante!

O que são pools de liquidez?

Trata-se de um dos itens que não pode faltar de jeito nenhum quando o assunto são as Finanças Descentralizadas (DeFi): pool de liquidez é o depósito de tokens/criptomoedas em que permite que todas as operações aconteçam. Isso acontece porque é justamente essa liquidez que abastece o mercado daquele projeto.

Para facilitar o entendimento, sempre vale recorrermos ao exemplo do mercado financeiro como conhecemos no dia a dia. Instituições financeiras precisam de basicamente duas coisas para funcionarem: recursos depositados para emprestar a outras pessoas e fazer esses empréstimos com uma margem que garanta a lucratividade (chamado de spread).

Pois bem: o spread bancário é o “vender dinheiro”, a diferença entre os juros pagos a quem deixou dinheiro depositado ali e quem pegou emprestado. Mas, convenhamos, sem os recursos inicialmente depositados, sequer haveria a possibilidade de… emprestar esses recursos!

Diferenças entre pools de liquidez e o sistema bancário tradicional

Pool de liquidez é nada mais do que os recursos depositados pelas pessoas, existindo duas diferenças com o sistema tradicional. Essas diferenças são as seguintes: o que forma essa liquidez e como ela interage com os agentes que precisam dela ou contribuem para que ela continue existindo.

Enquanto no caso do sistema bancário tradicional temos as moedas fiduciárias (real, dólar, euro, libra etc), os pools de liquidez são mantidos com criptomoedas/tokens. A ideia é a mesma nos dois casos: oferecer ali a possibilidade de que outras pessoas se utilizem dos recursos disponíveis por meio de empréstimos, remunerando quem oferece essa liquidez.

A segunda diferença é mais complexa e o que traz a real novidade: enquanto no que já conhecemos há a necessidade de uma figura para intermediar a transação (a própria instituição financeira), os pools de liquidez funcionam de maneira automatizada. Nos pools de liquidez, tanto quem deposita quanto quem pega emprestado “conversa” com um algoritmo que faz tudo que um intermediário tradicional faria. 

Esse aspecto dos pools de liquidez importa porque, não precisando de algo para intermediar, as transações não só se tornam mais rápidas e diretas como também mais baratas, já que, nesse caso, não é necessário ter nenhuma estrutura além do próprio algoritmo para fazer com que depósitos e empréstimos aconteçam entre pessoas que tem dinheiro sobrando e aquelas que precisam tomar emprestado uma grana.

As relações das pessoas com os pools de liquidez

São basicamente duas as possibilidades que você tem para se “envolver” com um pool de liquidez: aumentando o volume que ali está depositando criptomoedas/tokens ou reduzindo essa liquidez pegando emprestado daquele montante.

Novamente é uma boa ideia relembrar o modelo já conhecido aqui: quem empresta recebe por isso uma remuneração e quem pega emprestado paga juros sobre o empréstimo. A grande diferença, como já mencionamos, é que aqui não existe intermediação, tudo acontece entre uma parte e o pool de liquidez, tudo feito com base em um algoritmo. Logicamente, por esse motivo, o spread existente é muito menor do que na operação tradicional das instituições financeiras.

Cabe apontar que cada projeto cripto decide como esse algoritmo próprio funciona e quais são suas regras, mas a ideia geral é sempre a de permitir que apenas uma parte inicie a transação, não precisando ter uma outra, mas só a liquidez em si, para que tudo aconteça de fato.

Como funciona um pool de liquidez?

A ideia aqui é a de unir um par de tokens através de um smart contract que permite que a liquidez seja gerada. Através desses pares, quem tem acesso àquele projeto fica sabendo não apenas de quais criptomoedas pode usar para depositar ali como quais poderá pegar emprestado.

Um exemplo ajudará a entender. Vamos imaginar que em um pool de liquidez o par de tokens seja entre Ripple (XRP) e Litecoin (LTC), na proporção de 5 XRP para 1 LTC. Isso significa que, dentro daquele pool de liquidez, a cada 1 LTC você terá o oferecimento de outras 5 XRP. Supomos também que esse projeto tem o nome de Satoshimoto Xanadu (token SMTX).

Dito isso, lembra daquela relação entre as pessoas e os pools de liquidez? Então: quem contribui depositando tokens recebe um outro token, específico daquele pool, o SMTX, como incentivo para manter seus recursos ali e prover essa liquidez a quem se aproxima; já quem vem para pegar um empréstimo, recebe as criptos do “par” existente ali.

No momento em que a pessoa que empresta decide sair, os tokens SMTX são convertidos no que existe fora daquele pool, ela pega esses recursos e sai do pool de liquidez. Para fazer parte de um pool de liquidez você precisa se conectar à rede blockchain que ele funciona diretamente com sua carteira, para que logo em seguida possa tanto depositar e aumentar a liquidez quanto pegar um empréstimo.

Como ganhar dinheiro com pools de liquidez?

Nessa altura do campeonato não será uma surpresa se você estiver lendo e pensando “e como é que eu ganho dinheiro com isso?”. 

Bem, primeiramente vale dizer que participar de um pool de liquidez tem seus riscos (da segurança do projeto ou mesmo de uma saída brusca de muitos agentes) e demanda que você deixe os recursos ali por um tempo para que o retorno aconteça de verdade.

Ciente disso, vamos então continuar: depositando as criptomoedas em um pool de liquidez específico e assim aumentando a liquidez total, você recebe o token de remuneração pelo depósito. Mas existe uma segunda maneira também: a cada nova negociação, aquela sua participação também é remunerada.

Essa segunda forma acontece justamente porque apenas com o oferecimento de liquidez ao pool que as transações podem de fato acontecer. E, como aqui não existe a figura de intermediação (um tipo de autoridade central), quem permite que tudo se torne realidade são os próprios participantes da rede.

Aqui cabe fazer uma outra comparação com o sistema bancário tradicional: tudo funciona mais ou menos como se fosse uma cooperativa de crédito. Isso porque quando falamos desse tipo de instituição financeira, temos os resultados distribuídos entre todos que fazem parte justamente em relação ao quanto fazem parte (com o que têm depositado).

Quais são os riscos dos pools de liquidez

Em todos os artigos aqui do Blog da Bitso falamos não apenas sobre os aspectos revolucionários do mundo cripto em seus diversos projetos, como também alertamos sobre os riscos envolvidos – já que o objetivo aqui é te fazer tomar decisões das quais você esteja plenamente consciente e de acordo com o seu perfil de risco.

Quando o assunto são os pools de liquidez, cabe a nós afirmar que, tal qual acontece com os projetos de DeFi e os diversos DApps, tudo ainda é muito incipiente e com transformações muito rápidas. Isso significa que, se o seu caso for o de encarar um projeto desses e participar de um pool de liquidez, saiba desde já que as coisas ali variam muito e não são para iniciantes.

Falhas de segurança também podem acontecer e não dependem das criptomoedas ali presentes. Ou seja: não é porque, por exemplo, temos dois tokens que estão na blockchain Ethereum que o projeto novo que traz o pool de liquidez será tão seguro e validado quanto.

Outra questão importante a se pensar é que, pelo tamanho ainda reduzido (em relação às grandes instituições financeiras tradicionais) do que se movimenta de recurso nesses projetos, algumas movimentações podem fazer o todo oscilar de forma muito mais forte. Você depositar reais em um banco com 20 milhões de clientes traz muito menos efeito que depositar tokens em um projeto com menos de dois mil usuários – e quanto maior a quantidade, maior o efeito.

Um último aspecto de risco a ser considerado é o fato de que para interagir com um pool de liquidez, seja para depositar ou pegar um empréstimo, você precisa conectar diretamente sua carteira com aquele projeto. Então, para além do risco da operação em si, também existe o risco de segurança do próprio projeto. Não se esqueça de levar isso em conta!

Pool de liquidez: a revolução das Finanças Descentralizadas

Quando ouvir falar em pool de liquidez, lembre-se que se trata de uma verdadeira revolução dentro das Finanças Descentralizadas, já que permite que, com criptos, você consiga ter retorno ou mesmo pegar recursos emprestados sem que seja preciso ter uma outra parte do outro lado esperando ou mesmo alguém para intermediar.

Vale lembrar também que, esses projetos ainda têm um longo caminho a percorrer para que se tornem ainda mais seguros e eficientes, o suficiente para que muito mais gente decida fazer parte deles, principalmente oferecendo a liquidez necessária para que eles possam crescer.

Olhando para o sistema bancário tradicional é como mais conseguimos perceber as vantagens e inovações do que é um pool de liquidez. Continue aqui conosco no Blog da Bitso para aprender cada dia mais sobre esse universo que representa uma revolução talvez maior até do que a própria internet!

Graduado em Economia Empresarial e Controladoria pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FEA-RP/USP) e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem mais de cinco anos de experiência na gestão financeira de negócios que têm contato com o agronegócio e é Head de Conteúdo do Terraço Econômico. Acredita que a revolução que as criptomoedas trazem tem muito mais a ver do que os valores de mercado envolvidos - e que isso tudo pode ser até maior do que a própria internet.