Tokens: o que são e para que servem?

A primeira vez que você ouviu falar em criptomoedas foi algo em relação ao valor delas, certo? Não será surpreendente se disser que sim, considerando que a maioria das pessoas se depara com esse universo dessa forma. Mas e se te contarmos que a questão não se resume a isso? Existem diferentes tipos de tokens!

Se você tem interesse em saber mais sobre os diferentes tipos de tokens que existem e para que servem, veio ao lugar certo, é disso que iremos tratar! Vem com a gente!

Antes de tudo: o que é um token?

Um pouco de história ajuda a contextualizar. Muito antes de termos dinheiro, as pessoas trocavam bens entre si, conforme tinham sobrando e precisavam de outros produtos. Você tinha soja a mais e precisava de arroz? Buscava então quem produzia arroz e verificava a possibilidade de trocar seu excedente com o daquela pessoa.

Como se pode observar, a dificuldade era imensa, pois era preciso encontrar a cada nova operação/necessidade uma outra parte disposta a fechar negócio com a exata proporção que estava querendo. Com o dinheiro esse processo foi simplificado, pois havia então uma medida em comum: a soja tem um valor de mercado, o arroz também, assim como diversos outros itens.

Mas o que acontece quando não se tem essa mesma facilidade de troca? Nesses casos, muitas são as possibilidades e critérios pouco subjetivos para se chegar a um valor. Um meio interessante de mudar isso é através da tokenização, que nada mais é do que transformar numa “mesma linguagem”, mas agora digital, ativos tangíveis ou intangíveis.

Para que você não pense que começamos a falar grego, tangível é aquilo que pode ser tocado (como um imóvel) e intangível é o que não se pode tocar (como direitos autorais). Sim, ainda haverá avaliação necessária, mas agora o critério ficará mais objetivo e as transações serão mais fáceis.

Tá, mas como isso funciona na prática?

Um exemplo breve facilita o entendimento: um prédio residencial detém 50 apartamentos e é avaliado em R$25 milhões; suponha agora que esse empreendimento foi tokenizado e esse valor foi dividido em 25.000 partes de R$1.000; se esse prédio for vendido a um grupo de investidores por R$75 milhões, isso significa que cada token passou a valer R$3.000 e quem os tiver receberá essa diferença proporcionalmente ao que tiver de tokens.

Tokenizar significa criar um meio digital que atribui valor a algum ativo existente e, em função disso, o preço do token vai sempre variar de acordo com a valorização desse ativo. O diferencial aqui existente é que o critério fica muito mais objetivo – o número de tokens é a resposta para “quanto cada investidor vai receber neste negócio?”.

Outra vantagem existente está no fato de que os tokens podem facilitar também a avaliação jurídica de uma negociação que envolva aquele ativo. Novamente: a discussão sai de algum aspecto subjetivo, fica direta e ainda permite um controle adequado das transações através da rede de blockchain que estiver dando base naquele caso específico. E ainda com um bônus: reduz drasticamente a burocracia de repassar o imóvel para outra pessoa no cartório, assinaturas, reconhecimentos de firma… e aí vai.

Transformar em token então é, no fim das contas, permitir que algo que antes era negociado de maneira arbitrária e subjetiva passe a ter um mesmo critério e ainda de maneira mais vantajosa e segura, levando em conta a presença em uma rede de blockchain.

Por fim, um outro aspecto que não podemos esquecer de mencionar: a ideia central de um token é servir como incentivo para que os participantes daquela rede de blockchain sigam participando e permitindo que ela funcione. Afinal de contas, no universo cripto, quem faz acontecer é quem utiliza os serviços.

Quais são os tipos de tokens?

Agora que você já sabe o que é um token e como funciona, é hora de entender os principais tipos, suas diferenças e semelhanças. São cinco os principais grupos existentes. Vamos utilizar aqui os termos como você encontrará, mas não se assuste com o inglês, as explicações e exemplos de tokens deixarão tudo bem mais fácil. Vamos lá!

Payment Tokens

Esse é o token que funciona como moeda, com a função de realizar transações financeiras. Lembra do que falamos lá no começo sobre como podemos até apostar que você ficou sabendo primeiro sobre o universo cripto e muito provavelmente foi por conta de utilidade financeira? Então: provavelmente o primeiro token que você se deparou foi um Payment Token!

A maior usabilidade desse tipo de token está nos pagamentos online (acontecem em locais físicos também, mas a maioria costuma ser online), em que, dessa forma, você não vai precisar ficar pensando na taxa de câmbio entre uma moeda fiduciária e outra, pois estará utilizando uma mesma moeda.

Alguns exemplos de tokens de pagamento são Bitcoin e Litecoin: tendo eles em sua carteira você consegue transacionar com qualquer lugar no planeta que aceite, de maneira direta e sem ficar pensando na conversão com as moedas fiduciárias como real, euro e dólar.

Utility Tokens

Aqui a ideia é que quem detém esse tipo de token consegue fazer algo específico com ele, ter algum acesso diferente, como um “clube em separado” que só aquela pessoa que faz parte pode acessar. Possivelmente a melhor analogia com o que você já deve conhecer são os programas de milhas aéreas: só é possível ter acesso aos benefícios quem viaja de avião.

A diferença aqui é que esses tokens podem sim servir para a realização de transações financeiras, mas há nesse caso benefícios exclusivos a quem tiver a posse desses tokens em sua carteira. Outra diferença importante é que esse tipo de token é criado para ser usado dentro de uma mesma rede, não sendo tão útil fora dela. Você não vai usar milhagens aéreas para comprar pão amanhã cedo, mas sim para ter benefícios dentro do programa.

Isso sem falar em um ponto que, por mais que pareça óbvio, vale relembrar: em sendo algo exclusivo, também estará quase sempre ligado a escassez – sendo algo que apenas quem ficar por dentro da oportunidade acabará aproveitando, o que acaba até aumentando o interesse e a curiosidade, afinal.

Um exemplo bastante prático desse tipo de token é o Chiliz (CHZ), que serve para permitir que torcedores de times de futebol tenham acesso diferenciado a benefícios que só existem para sócios torcedores desses próprios times, como o direito de sentar em áreas especiais do estádio, desconto em camisas, eventos especiais com os jogadores e até mesmo poder tomar decisões na diretoria se e quando te convidarem para essa missão.

Security Tokens

Dentro dos mercados financeiros, a expressão “securitizável” é bastante conhecida e significa “transformar um bem ou direito em algo negociável”. Sim, quase como o que transformar em token significa, mas em relação específica a ativos negociáveis, tais quais são ações, direitos, obrigações, garantias e outros itens parecidos com esses.

A grande diferença existente aqui é que no lugar de deixar esses ativos em separado e conversando apenas entre si, quando estão tokenizados podem ser mais facilmente negociados entre si – mais ou menos como a diferença que comentamos entre trocar soja por arroz e poder comprar um ou outro conforme a necessidade utilizando dinheiro.

Esse tipo de token tem uma situação específica: por representar um ativo securitizado e, portanto, ser o que pode ser chamado de ativo mobiliário, passa por regulamentações específicas do país onde estiver. Aqui no Brasil, por exemplo, quem olha para esse tipo de título, seja em token ou não, é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Então, na prática, Security Token nada mais é do que um ativo securitizado que virou token porque passou a constar em uma rede de blockchain.

Equity Tokens

Aqui a situação é muito próxima do tipo anterior, mas específica a um caso: o das ações. Equity Token é na prática como uma ação, mas dentro de uma rede blockchain. Assim como no caso das ações, quem tiver esses tokens terá prioridade no recebimento de dividendos do negócio (como são as ações preferenciais) ou na tomada de decisões gerenciais (como permitem fazer aqueles que têm ações ordinárias).

Esse tipo de token pode ser encontrado como sendo na verdade um Security Token, já que ação é um ativo securitizado, mas vale fazermos essa separação em um tipo novo porque, neste caso, estamos falando de um ativo específico e não do grupo geral de possibilidades deste campo dos securitizáveis.

Possivelmente você pensou enquanto lia este trecho “mas se permite tomar decisões, não seria um Utility Token também?”. A resposta é: não, porque Utility Token tem sua utilidade apenas dentro de um grupo e Security Tokens quanto Equity Tokens podem ser trocados entre pessoas que estão fora de um grupo – inclusive é assim que costuma acontecer.

Non-fungible Tokens (NFTs)

Chegamos na bola da vez: com o assunto sendo tokens, não será difícil que você já tenha visto por aí alguma coisa sobre NFT. Vamos então em definitivo ao que esse token significa: token não-fungível é aquele que tem como característica principal o fato de que você não pode trocar ele com outro igual, porque ele é um item único.

O exemplo mais fácil para entender o que seria não fungível é pensar no caso mais clássico do que é fungível: o dinheiro. A nota de R$10 que você tem na sua carteira não é a mesma que a que está em um caixa de supermercado agora – os números de série são diferentes e tudo mais -, mas o valor das duas é o mesmo, o que elas podem comprar não vai variar.

Mas quando entramos no campo dos não-fungíveis, a situação é quase como a de um colecionador de obras de arte. O Abaporu, quadro icônico da Tarsila do Amaral, está em um museu em Buenos Aires. É o único que existe, não há outro, não há “Abaporus” sendo trocados por aí. NFT é quando colocamos as características de um token em um item desses.

Muito se questiona a respeito dos valores movimentados com esse mercado, se são reais ou algum dia irão esfarelar no ar. Mas, independente dessa discussão, a grande vantagem de um NFT é o fato de que, por ser único e estar dentro de uma rede blockchain, não será simplesmente copiado e ainda ficará acessível o histórico de quem criou, comprou e quem tem a posse do item hoje.

Inclusive, os NFTs poderiam ser uma solução para a falsificação de itens que acontece desde o mundo da arte até mesmo a de itens exclusivos e limitados no mundo da moda. Se existem marcas de relógios de luxo que registram adequadamente os números de série com detalhes das peças que vendem, tokenizar significaria simplesmente colocar esse histórico de registros em uma rede blockchain.

E qual a diferença entre token e criptomoeda?

Em muitas ocasiões você pode encontrar token e criptomoeda sendo usados como sinônimos. Mas existem três diferenças fundamentais entre esses dois termos:

  • Enquanto criptomoedas nascem de maneira intimamente ligada a uma rede blockchain e dependem dela para serem criadas, tokens estão em outros lugares antes e apenas passam a ser inseridas nessas redes;
  • O objetivo principal das criptomoedas é o de reduzir barreiras no mundo financeiro e permitir transações ao redor do globo de maneira mais rápida e direta, mas quando olhamos para os tokens, as funções possíveis são bem mais diversas (como discutimos aqui nos tipos de tokens que existem);
  • A funcionalidade de uma criptomoeda está em transacionar ou servir como reserva de valor em uma carteira de investimentos, enquanto o token permite que quem os tenha tome mais ações do que simplesmente fazer transações ou utilizar como reserva de valor – inclusive o objetivo do token é justamente focar em sua função.

Não será um pecado seguir encontrando token e criptomoeda como sendo sinônimos, mas agora você já sabe que enquanto o primeiro caso apresenta muitas possibilidades o segundo tem como função específica o mundo financeiro.

Aposto que você nunca mais verá a expressão token do mesmo jeito!

Possivelmente a maior das novidades que o universo cripto traz é o fato de que com suas diversas ferramentas acabamos inserindo o mundo real em aspectos digitais e muito mais fáceis de “conversar” ao redor do mundo. Se você pensava que isso era apenas possível através de funções financeiras, descobriu aqui que, com os tokens, dá para fazer muito mais do que isso.

Quando ouvir falar sobre a verdadeira revolução digital trazida por esse universo, seja vendo algum conteúdo em algum outro lugar ou mesmo aqui no Blog da Bitso, lembre-se de pensar em quantas funcionalidades passaram a existir desde que blockchain passou a ser uma realidade e permitir que basicamente tudo esteja agora em meio digital!

O Time Bitso é formado por especialistas em criptomoedas, garantindo informações seguras e precisas sobre o mundo cripto.