O que são ETFs de criptomoedas e como fazer este tipo de investimento?

ETF de criptomoedas

A indústria de fundos de investimentos observou um crescimento jamais visto nos últimos anos. Com estratégias distintas para perfis diferentes, os fundos de investimentos ganharam a atenção de pessoas interessadas em formas diferentes de aplicar seu dinheiro além da poupança. 

Em 2020, foram mais de R$6 trilhões alocados nessa forma de investimento, com expectativas positivas para os próximos anos. Um deles em específico tem ganhado cada vez mais adeptos nos últimos meses: os ETFs. Mas o que são ETFs?

ETFs, ou Exchanged Traded Funds, são os fundos que têm como objetivo principal seguir um índice de referência. No caso das ações, temos o principal deles, o índice Ibovespa, que reúne as ações mais negociadas da bolsa (e temos vários ETFs que seguem esse índice), mas também índices alternativos que reúnem diversas ações de um determinado tipo, como as de pequenas empresas (conhecidas como small caps), as que estão mais ligadas em impactos ambientais, sociais e governamentais (o tão falado ESG) e até mesmo para acompanhar índices internacionais.

Para cada um deles, temos 1 ou mais ETFs que seguem essa estratégia. 

Agora, os ETFs chegaram ao mundo de cripto, e a lógica é a mesma para o caso das criptomoedas. Os ETFs de Criptomoedas são fundos que seguem algum índice referência no mercado cripto, como é o Nasdaq Crypto Index, calculado pela Nasdaq, o CME CF Bitcoin Reference Rate, divulgado pela bolsa de Chicago e muitos outros índices.

Um ponto fundamental dos ETFs de critptomoedas é que eles funcionam de uma maneira mais fechada, seguindo à risca os índices que servem de referência a eles. Dessa forma, se você decidir ter algum deles em sua carteira, saiba desde já que o que está no regulamento de qualquer um deles é o que vai ser executado, sem chance de mudar (o que é conhecido como estratégia passiva, ou mais popularmente “comprar e deixar lá sem mudar”).

Como veremos mais à frente, isso pode ser considerado uma vantagem para alguns, mas uma desvantagem para outros. Continue com a gente que te explicamos!

Quais são os ETFs de criptomoedas que posso encontrar no Brasil?

Alguns pontos não foram mencionados na descrição das características dos ETFs, mas é super importante explicar aqui. Primeiro que, como todo fundo de investimento, eles cobram uma taxa de administração para cuidar do dinheiro dos investidores. Essa taxa varia entre 0,5% até 1,5% ao ano.

Em segundo lugar, é importante ficar ligado nos rebalanceamentos, principalmente no caso da HASH11. A cesta de moedas do índice referência pode se alterar, em virtude dos indicadores de negociação, volume de trades, valores e outros pontos, e isso pode impactar na rentabilidade do ETF. 

Há 5 ETFs de criptomoedas listados na Bolsa brasileira, a B3, que estão disponíveis para compra e venda para pessoas  interessadas. Vamos mostrar as diferenças entre os fundos no detalhe aqui:

  • HASH11 – Esse ETF de Criptomoedas replica o Nasdaq Crypto Index (da sigla em inglês, NCI), um índice que é composto por oito criptomoedas em nov/21: bitcoin (+60%), seguido de ethereum (+20%), litecoin, chailink, filecoin, bitcoin cash, uniswap e stellar. Assim, apenas 2 criptomoedas representam 80% dos ativos do fundo (bitcoin e ether), o que faz bastante sentido se olharmos a dominância dessas duas moedas em relação às demais. É com larga vantagem o ETF de maior patrimônio líquido entre os disponíveis na bolsa;
  • QBTC11 – Esse ETF replica o índice CME CF Bitcoin Reference Rate e foi o primeiro a ser lançado no mercado brasileiro na esteira dos ETFs criptomoedas. Esse fundo está 100% exposto à variação da principal criptomoeda existente, o Bitcoin: ou seja, varia bastante. Na prática, quem investe nesse ETF está sujeito à oscilação dos preços do Bitcoin, e não é influenciado por variações de preços em outras criptomoedas;
  • QETH11 – Este ETF funciona de forma muito parecida com o QBTC11, mas com uma diferença fundamental: em vez de Bitcoin, o índice perseguido aqui é lastreado no Ethereum (ou Ether), a segunda criptomoeda de maior valor de mercado no mundo. Esse fundo tem como índice referencial o CME CF Ether Reference Rate, calculado e divulgado pela bolsa de valores de Chicago, nos Estados Unidos;
  • ETHE11 – Semelhante ao caso anterior, a do QETH11, o ETHE11 também tem como indicador principal um índice que persegue a variação de preços da moeda Ether, da rede Ethereum. O índice referência é o Nasdaq Ethereum Reference, divulgado pela bolsa americana Nasdaq. Nesse caso, assim como ocorre no QETH11, quem investe nesse ETF está sujeito à oscilação dos preços do Ether, e não é influenciado por variações de preços em outras criptomoedas;
  • BITH11 – Este ETF já tem como principal apelo responder à questão de sustentabilidade do sistema cripto, uma vez que foi lançado com o objetivo de neutralizar as emissões de carbono gerada pela mineração da criptomoeda em todo o mundo. O seu índice referência também é divulgado pela Nasdaq e olha unicamente o preço futuro do Bitcoin, o Nasdaq Bitcoin Reference Price. Assim como no caso do QBTC11, grandes oscilações do preço do Bitcoin no mercado internacional impactarão diretamente na rentabilidade deste fundo.

Para você ter uma ideia do tamanho desses fundos, a gente trouxe o valor dos patrimônios líquidos dele no gráfico abaixo. São números que impressionam, olha só:

Gráfico de barras mostrando o tamanho do patrimonio liquido de cada ETF em milhões de reais. HASH11 tem 2.650, QBTC tem 256, QETH11 tem 191, ETHE11 tem 145 e BITH11 tem 131

Como e onde investir em ETFs de criptomoedas?

Agora que você já aprendeu o que são os ETFs e quais as principais ETFs de criptomoedas disponíveis, é hora de entender como investir neles.

Para você comprar uma cota do ETF, é preciso ter conta aberta em corretora no Brasil. Há diversas opções disponíveis para avaliar e comparar custos e taxas na hora de transacionar ativos. O processo é bem simples, e na enorme maioria dos casos inteiramente digital.

Depois de abrir conta e transferir uma certa quantia para a corretora escolhida, é preciso clicar na área do Home Broker, que é uma plataforma digital na qual títulos e valores mobiliários de renda variável são transacionados.

Daí em diante, é só colocar o ticker (o ‘apelido’) do papel no campo de busca, verificar os preços que estão sendo praticados e definir o método de compra e mandar a ordem. 

Uma dica importante: como isso é feito dentro da plataforma da corretora, taxas de corretagem (tanto na compra quanto na venda do papel) podem ser cobradas, embora nos últimos meses boa parte das corretoras optou por zerar essas taxas para clientes, mas fique de olho nisso, combinado?

Vantagens e desvantagens de ETF de Criptomoedas

Depois de todas essas informações, a pergunta que fica é: afinal, vale a pena? Se você está com essa dúvida, precisa conhecer as principais vantagens e desvantagens de comprar cotas em ETFs de criptomoesdas.

Vantagens:

  • Com eles é possível acompanhar a variação de várias moedas ao mesmo tempo; com o ETF, você está comprando uma cota em um fundo que investe em índices que acompanham a oscilação de uma ou mais criptomoedas existentes no mercado.
  • Especialistas ficam com a gestão do fundo, e não é preciso se preocupar com isso. A ideia do fundo de investimento é ‘terceirizar’ as decisões de investimento para quem faz a gestão, uma pessoa que ganha para isso. Dessa forma, basta quem investe procurar uma empresa ou pessoa com  boa performance e alocar o seu dinheiro ali. Mas vale sempre lembrar: rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, ok?
  • Estratégia passiva (comprar e deixar lá sem mexer) reduz a chance de erros de investimentos. Como o ETF segue estritamente a alocação no índice referência, não existe chance de você ter alguma perda que venha de uma estratégia de investimento em uma criptomoeda desconhecida ou em outros instrumentos mais arriscados, como opções e alavancagem. Como veremos mais à frente, essa ‘vantagem’ do ETF pode ser vista como desvantagem por outros perfis de investidores.

Desvantagens:

  • Ganho líquido: é devida uma taxa de administração ao gestor do ETF, o que reduz a rentabilidade do fundo. A taxa de administração e outras taxas existentes no ETF são deduzidas da rentabilidade bruta, e o que o investidor coloca no bolso mesmo é o retorno líquido. E ainda precisamos falar dos impostos, tema do próximo tópico.
  • Impostos sobre ganhos: enquanto ganhos de qualquer valor são tributados a uma taxa de 15% nos ETFs, os rendimentos que vêm da venda direta de criptomoedas possuem isenção de até R$35 mil por mês. 

Dessa forma, caso a sua posição tenha aumentado de R$10 mil para R$15 mil em um ETF, e você venda as suas cotas, esse ganho de R$5 mil será tributado a uma alíquota de 15%, chegando ao valor de R$750 de imposto. Se esse ganho fosse direto em uma carteira de Bitcoin, por exemplo, não haveria pagamento de impostos, por causa da isenção de até R$35 mil por mês.

  • Estratégia passiva: o que por um lado pode ser uma vantagem, também pode apresentar riscos, nesse caso, de oportunidade; uma estratégia ativa pode capturar possibilidades diferentes conforme as informações forem mudando, o que é bem diferente do “comprar e esquecer” do meio passivo.

A diferença entre comprar Bitcoin e comprar um ETF de Bitcoin

Muita gente acaba confundindo as coisas: comprar ETF de criptomoedas é igual a comprar a moeda digital? Qual seria a diferença entre comprar um ETF de Bitcoin e de adquirir diretamente Bitcoin no mercado cripto? Vamos conversar.

Apesar de vários exemplos terem sido dados nesse texto para tentar jogar luz nessa questão, vale sempre reforçar: trocas moedas fiduciárias (dólar, real, euro e outras) por criptomoedas são como um tipo de operação de câmbio e não de investimento.

Muita gente enxerga valor em possuir moedas digitais, como o Bitcoin e Ether, guardadas em carteira, pensando em aproveitar uma eventual valorização de preços, o que não é garantido.

Outra coisa completamente distinta são os ETFs, sejam de criptomoedas ou de ações, crédito e outros ativos da economia. Esses fundos são considerados investimento de renda variável, e possuem toda a estrutura necessária para atuarem sob a regulação da CVM.

Isso quer dizer que são mesmo um veículo de investimento propriamente dito, com a figura de uma pessoa para investir, outra para administrar, custodiante, gestor e muitos outros papéis que fazem parte da indústria de fundos no Brasil.

Depois de conhecer em detalhes os ETFs Criptomoedas, cabe a você decidir o que combina mais com seu perfil de risco. Continue se aprofundando e não deixe de ler os artigos aqui do blog da Bitso.