Investimentos alternativos: como diversificar a sua carteira de investimentos

A quantidade de opções disponíveis para quem quer começar a investir é enorme. Títulos na renda fixa, oportunidades na renda variável e até fundos de investimentos estão cada vez mais acessíveis até para quem tem pouco dinheiro para aplicar. Mas existem outros tipos de investimentos que até pouco tempo atrás não estavam disponíveis para o grande público: são os investimentos alternativos.

Este artigo irá detalhar o que são, mostrar alguns exemplos e, claro, identificar as vantagens e desvantagens dos investimentos alternativos. Se você já ouviu falar disso e nunca se aprofundou nesse tema, continue a leitura que suas dúvidas serão esclarecidas, combinado?

Vamos lá!

O que são investimentos alternativos?

Investimentos alternativos são aqueles que não são oferecidos pelos grandes bancos e corretoras para a maioria dos clientes. Seja por um maior risco que carregam ou ainda por uma menor liquidez desses ativos, esses tipos de investimentos ficam ‘escondidos’ do mercado financeiro tradicional.

Contudo, menor liquidez e maior risco juntos só podem significar uma coisa: maiores ganhos. E é exatamente esse o motivo para que cada vez mais gente interessada por investimentos busque esses ativos para diversificar a sua carteira para além dos já conhecidos ativos tradicionais, como poupança, tesouro direto, CDB, ações e fundos de investimentos.

Exemplos de investimentos alternativos

Entendido o conceito, chegou a hora de entender sobre esse tema a partir de exemplos reais. Para não sobrar qualquer dúvida, vamos com 5 exemplos:

Venture Capital e Private Equity

Muitas ideias e negócios precisam de um empurrãozinho no começo da sua jornada, principalmente na parte de financiamento para expansão e novas contratações. Até pouco tempo atrás, esse dinheiro inicial vinha de grandes investidores ou fundos, mas essa história mudou ultimamente.

Mesmo quem tem pouco dinheiro pode aplicar nessa alternativa por meio de plataformas que possibilitam o investimento direto em ideias ou empresas nascentes (venture capital) ou um pouco mais maduras que estão buscando crescimento acelerado (private equity). Assim, quem investe nessa alternativa ganha um pedaço de uma empresa, semelhante ao caso das ações, mas são empresas que ainda não são cotadas em bolsa.

Peer to Peer Lending

Quando uma empresa precisava de dinheiro para financiar o seu capital de giro, investir em uma nova fábrica ou ainda abrir novas lojas, era quase certo que o seu destino seria ir ao banco mais próximo ‘passar o chapéu’. Mas hoje esse cenário mudou significativamente.

Pessoas Físicas podem emprestar diretamente para empresas que precisam de recursos. Se uma empresa precisa de, digamos, R$200 mil reais para abrir uma filial, ela pode usar uma plataforma peer-to-peer (pessoa a pessoa) para aplicar em uma fração desse montante que está sendo requisitado pelo negócio.

Normalmente, os valores envolvidos nesse tipo de transação ficam entre 5 a 10 mil reais e cada pessoa contribui para a empresa conseguir captar o que precisa, por um custo mais barato se comparado à alternativa tradicional.

Ativos Judiciais

Quando as coisas não saem da forma que foi planejado, muita gente acaba recorrendo à justiça. Tanto no âmbito privado quanto no público, mesmo após a decisão final do juiz sobre o pagamento de um valor, demora um tempo considerável até receber de fato o dinheiro em conta.

Veja o caso dos precatórios. São decisões judiciais nas quais quem processou o Estado ganhou o direito de receber certa quantia. Não há mais possibilidade do Estado recorrer da decisão. Mesmo assim, esse dinheiro pode demorar décadas para ser pago, se for devido por municípios ou estados da federação, por exemplo.

Assim, algumas plataformas e fundos de investimentos compram os direitos de recebimento vinculados a essas decisões judiciais com desconto e depois vendem pequenas frações desses títulos para investidores que topam correr esse risco com maior potencial de ganho comparado às aplicações tradicionais. Como a data do recebimento exato é bem incerta, isso adiciona uma boa pitada de risco na operação.

Negócios imobiliários

Na hora de colocar de pé um projeto imobiliário é preciso muita grana para fazer a ‘mágica’ acontecer. Muito além da Letra de Crédito Imobiliário (LCI), uma possibilidade do mercado tradicional de investimentos, há muitas outras opções no mundo dos ativos alternativos.

É possível comprar quartos de hotéis e receber os rendimentos vinculados às diárias, no modelo de Condo-Hotéis, uma modalidade que vem ganhando adeptos nos últimos anos.

Ainda, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) que possuem um colateral (garantia) em recebíveis imobiliários no caso de dificuldades no pagamento das parcelas. São várias as possibilidades no mundo das incorporações e do mercado imobiliário que fogem do tradicional e encontram ‘refúgio’ nos investimentos alternativos.

Royalties Musicais

É quase impossível andar por aí sem ver alguém passando perto de você com um fone de ouvido. Tem gente que opta pelo rádio, mas cada vez mais gente tem preferido ouvir música em aplicativos de streaming. E muita gente não sabe, mas quando uma música é tocada nessas plataformas, o artista recebe um valor pelo direito da letra e melodia. É o tal do royalty musical.

Isso tem gerado diversas oportunidades para artistas e compositores. Muitos deles têm optado por ceder uma parte desses royalties que eles irão receber no futuro por um pagamento no presente. E assim, plataformas especializadas oferecem esses royalties como investimentos para quem tem perfil de risco para aplicar nesse tipo de ativo. E se o artista bombar e for escutado muitas vezes, quem investiu fica feliz da vida.

Quais as vantagens desse tipo de investimento?

A grande vantagem em investir em ativos alternativos está na rentabilidade acima da média das opções tradicionais. Se a poupança e o CDB rendem menos do que 100% do CDI no mercado financeiro tradicional, os investimentos alternativos podem render mais do que o dobro ou triplo disso.

Na renda variável, a história é parecida. Se as ações têm o potencial de multiplicar o patrimônio através do crescimento das empresas, um investimento certeiro em venture ou private equity tem o potencial de fazer isso em muito menos tempo.

Mas como nem tudo são flores…

E as desvantagens dos investimentos alternativos?

Apesar dos ganhos potenciais serem maiores, o risco das operações é bem superior às opções tradicionais. No caso dos ativos judiciais, há um risco de crédito, principalmente no mundo privado. Se olharmos para venture capital e private equity, existe o risco de mercado, pois a empresa ou negócio investido pode naufragar por má gestão ou mudanças no segmento em que atua. E assim vai…

Além disso, a liquidez de um ativo alternativo é muito menor que as opções tradicionais. Isso significa que é muito mais difícil transformar esses investimentos em dinheiro caso você precise. Afinal, é bem difícil encontrar uma outra pessoa que tope comprar um direito judicial ou royalties musicais de forma rápida e desburocratizada.

A trajetória natural dos investimentos: do alternativo ao tradicional

Considerando essa dificuldade de encontrar outras pessoas que conheçam o conceito e como funcionam os investimentos alternativos, o processo natural ao longo do tempo é que alguns desses ativos aos poucos migrem para o mercado tradicional. O esforço educacional explicando as características de cada produto combinado com um maior interesse do público são fatores determinantes para transformar uma opção alternativa em tradicional.

Mesmo as criptomoedas já foram consideradas ativos alternativos até pouco tempo atrás. Com o aumento do interesse de grandes investidores e fundos e também o aumento da liquidez do mercado, hoje em dia o mercado cripto já é bem conhecido e é considerado como uma opção tradicional no mercado financeiro.

Uma alternativa às aplicações tradicionais

Os ativos alternativos são um mercado que só cresce em todo o mundo. São bilhões e bilhões de dólares que movimentam investimentos que têm estrita relação com a economia real, como no mercado imobiliário e de financiamentos, por exemplo.

Ainda, muitos desses ativos são descorrelacionados com o mercado tradicional; isso significa que os investimentos alternativos variam pouco ou nada quando ocorrem oscilações nos juros ou novas notícias na economia e política. Assim, os ativos alternativos podem servir para dois fins: aumentar a rentabilidade da carteira e ainda proteger o patrimônio em momentos de incerteza nos mercados tradicionais.

E, no fim das contas, esse último ponto é extremamente importante: os ativos alternativos devem balancear a carteira de investimentos, como uma forma interessante de diversificação. Não é indicado começar sua trajetória nos investimentos nesses tipos de ativo, justamente pelo risco maior que apresentam.

Mas, de qualquer forma, é imprescindível conhecer esse mercado que tem crescido tanto no Brasil e no mundo e todas as oportunidades que tem oferecido.

Arthur Solow é economista pela Escola de Economia de São Paulo da FGV e pós-graduado em Business Analytics e Big Data também pela FGV. Possui experiência em análise e monitoramento de dados, comunicação política, criação de conteúdo e educação financeira. É confundador do Terraço Econômico. É apaixonado pelo universo cripto e tem convicção que estamos vivendo apenas o início da enorme revolução da nossa forma de lidar com o dinheiro.