Como funciona a liquidez nos investimentos? E quais os riscos?

Quando pensamos em investir a primeira coisa que vem na cabeça de todos nós é: quanto eu vou ter ao final de um determinado período de tempo? Um ano? Um mês? Uma vida toda?

A segunda coisa é como investir, qual produto, qual caminho e qual o risco eu vou querer correr.

Porém, existe uma terceira pergunta que pouca gente se faz, qual a liquidez do(s) investimento(s) escolhidos? Mas não precisa ficar preocupado, nós vamos te explicar tudo sobre liquidez aqui no blog da Bitso!

O que é liquidez?

Você já aprendeu nos nossos demais textos que quando investimos estamos na realidade colocando o dinheiro para trabalhar, ou seja, o dinheiro vai para alguma finalidade. Afinal de contas o investimento não acontece “sozinho”.

Existe um processo intermediado pelo mercado de capitais onde a sua poupança será transformada em investimento na outra ponta. E fatores como a complexidade do investimento e do processo de intermediação entre o dinheiro sair da sua conta e chegar na mão daquele que irá remunerar o seu dinheiro (Capital), são de enorme importância na determinação da liquidez.

Você sabe que o seu dinheiro pode ir para uma dívida de uma empresa quando se compra uma debênture, ajudar a financiar o governo federal com um título no tesouro direto e até mesmo comprar um pedaço de uma empresa via ação ou um fundo de private equity, ou ainda comprar um imóvel para viver da renda gerada pelos aluguéis do mesmo. Tudo isso é colocar dinheiro para trabalhar! E quando o dinheiro trabalha ele é remunerado de alguma forma, fazendo o montante investido crescer.

Ou seja, o dinheiro vai estar na mão de outra pessoa ou entidade que não é o investidor, logo se o investidor precisar do dinheiro de volta o processo pode demorar um pouco. Infelizmente, nem sempre um pix é possivel.

É exatamente esse tempo que o dinheiro demora para ser desmobilizado do investimento e voltar para o investidor que é o conceito de liquidez. O quão rápido você consegue ter o dinheiro de “volta” maior é a liquidez do investimento escolhido. Na forma mais simples possível: A liquidez é a possibilidade e facilidade resgatar o valor investido e o lucro.

O risco de liquidez

Como vimos uma vez investido, o dinheiro estará “trabalhando”. Todo investimento tem uma janela de tempo para se maturar e às vezes o dinheiro só estará disponível acrescido dos juros, após esse período. E se o investidor precisar do dinheiro investido antes do término desse período?

Bom, cada caso é um caso, às vezes é possível sair com todo o investimento intacto e ainda mais um lucro, porém existem casos onde é possível inclusive perder um pedaço do dinheiro inicialmente investido.

Para efeitos de simplificação, vamos começar com um exemplo bastante próximo e que faz parte da realidade da maioria dos brasileiros. Sem considerar inflação, custo de financiamento e demais fatores que influenciam o nosso exemplo na vida real.

Suponhamos que você caro leitor decida comprar a vista um imóvel para viver da renda que os aluguéis desse imóvel irão te gerar ao longo de vários anos. Suponhamos que seja um apartamento no valor de R$200.000,00, duzentos mil reais. E esse é todo o dinheiro que você tem poupado, 100% do que você conseguiu juntar. E que você vai cobrar de aluguel, por mês, o valor de 0,5% do investido, ou seja, R$1000,00. Ao longo de um ano você vai ter recebido 6% do total investido em aluguéis.

Você conseguiu alugar o imóvel e está feliz recebendo os aluguéis, seu plano parece estar funcionando muito bem. Porém, acontece um imprevisto e você precisará vender o imóvel rapidamente. Você tem poucas semanas para fazer isso e anuncia seu apartamento pelos mesmos R$200mil inicialmente pagos.

Poucos dias após o anúncio você recebe uma oferta de um possível comprador, porém ele ofereceu R$180.000,00 e dada a sua necessidade pelo dinheiro você aceita a proposta. Na pressa para ter o dinheiro de volta você precisou sacrificar 20% do montante investido e todo o rendimento do contrato do aluguel. Se fosse possível esperar meses para fazer a venda seriam grandes as probabilidades de se conseguir um preço melhor, enquanto você ainda receberia aluguel.

O exemplo acima é perfeito para exemplificar o risco de liquidez: na pressa para ter o dinheiro de volta o investidor topou um pênalti de 20%. Ou seja, ele perdeu 20% do montante investido, pois ele precisava do dinheiro.

Reduzindo o risco

Como todos os riscos quando estamos falando de investir, o risco de liquidez é possível de ser mitigado.

A primeira coisa que o investidor deve fazer (e que o investidor do nosso exemplo não o fez) é entender qual o prazo que ele está disposto a ficar sem aquele montante prontamente disponível. Por isso sempre falamos em diversificação, ter vários investimentos e cada um como uma função/propósito diferente.

Logo antes de investir, entenda os prazos de resgate e como o mercado funciona. Informação é sempre o melhor mitigador de riscos!

O investidor do nosso exemplo colocou todos os ovos na cesta do imóvel para aluguel, que é por definição um investimento de baixa liquidez. Ele deveria ter dividido os R$200mil em várias partes e ter investido um pedaço em um investimento com liquidez rápida, como um fundo D.I ou até mesmo na poupança, onde não existe risco de liquidez, para poder cobrir alguma emergência.

O risco de liquidez no mercado financeiro

Agora que você já entendeu o que é o risco de liquidez e como ele se manifesta, vamos ver como diferentes investimentos possuem diferentes riscos de liquidez. Um investimento líquido é aquele que possui regras que permitem o resgate de forma bem rápida e sem penalidades (lembra do exemplo do apartamento?).

Alguns fatores que são muito comuns nos investimentos podem influenciar a liquidez, vamos ver cada um deles:

  • Carência: É um período pré-determinado onde o investidor não pode sacar;
  • Vencimento: É a data onde o investimento por si termina, muito comum em títulos de renda fixa privada e pública;
  • Prazo de resgate: É o período entre o pedido do saque e o efetivo recebimento do dinheiro do investidor, muito comum em fundos de investimento.

Vamos ver alguns exemplos de como a liquidez pode mudar em diferentes classes de ativos:

Liquidez na renda variável (ações)

O principal exemplo de investimento em renda variável são as ações, que são negociadas em bolsa de valores, então normalmente a sua liquidez é fácil de ser observada. Porém, ao observar as ações você poderá encontrar de tudo um pouco: ações com muito vendedores e compradores, logo com muita liquidez, e ações onde ao longo do dia acontecem meia dúzia de negócios.

Por um lado, as ações de empresas de grande valor de mercado, como as que compõem o Ibovespa, são mais líquidas, porque há mais procura por elas. Caso você queira vender uma delas, será mais fácil e provavelmente conseguirá no mesmo preço ou num preço bastante próximo daquele que a ação está sendo negociada.

Já no caso das microcaps ou small caps, que são as empresas menores em valor de mercado, a liquidez tende a ser mais baixa, porque nem sempre há grande procura pelas ações. Isso significa que pode ser mais difícil vendê-las, se necessário. E que assim como no nosso exemplo do apartamento você correrá o risco de aceitar alguma perda se precisar vendê-las com rapidez.

No caso brasileiro, existe ainda um período entre a concretização da venda e disponibilidade do dinheiro para o investidor. É o famoso D+2, isto é, após vender a sua ação, o dinheiro cairá apenas dois dias depois na sua conta. É o tempo que a bolsa precisa para fazer os registros e liquidar a operação. Então quando for vender uma ação se lembre desses dois dias.

Liquidez na renda fixa

Diferentemente das ações, a renda fixa é um universo muito maior e com diversas opções para o investidor e cada uma delas com diferentes fluxos de liquidez. Vamos falar das mais comuns: debêntures, tesouro direto, CDB e poupança.

No caso da renda fixa, a aplicação com a maior liquidez é a velha caderneta de poupança. Porém existem outros produtos como o tesouro Selic (o título mais líquido do governo federal negociado na plataforma do tesouro direto). Como existe um mercado bastante grande e organizado para esse tipo de título, é bastante fácil conseguir um preço justo para realizar a venda desses títulos. E o tempo de liquidação é de apenas 1 dia.

No caso das debêntures é preciso tomar muito cuidado, nem sempre existe liquidez e a negociação delas não acontece de forma eletrônica como as ações e títulos do tesouro direto, é via o mercado de balcão. Nesse tipo de mercado as operações demoram para acontecer pois nem sempre existe oferta e demanda correspondentes e alguns títulos possuem emissões pequenas, ou seja, existem poucos investidores naquele mesmo investimento. Logo, se você precisar vender rapidamente uma debênture pode acabar com um “apartamento” em mãos.

No caso dos CDBs, é preciso ficar atento com o vencimento, existem CDBs de um dia e outros com vencimentos de até 4 anos, por exemplo. Portanto o investidor tem que dimensionar muito bem quanto tempo ele quer ficar no investimento. Assim como as debêntures, é possível sair antes do prazo, porém pelo mercado de balcão, onde nem sempre a liquidez é abundante e o risco de ter algum prejuízo existe.

Liquidez dos fundos de investimento

Aqui existe um conceito duplo de risco de liquidez, o primeiro é do próprio fundo, pois a grande maioria dos fundos possuem prazos de resgate que podem variar entre 1 e até 360 dias em alguns casos. Logo o investidor precisa observar muito bem isso.

Além do prazo de resgate, existe o risco de liquidez dos próprios ativos do fundo iguais aos descritos para renda fixa e ações. Logo se o gestor do fundo tiver muitos resgates ao mesmo tempo, ele terá que vender os ativos e correr o risco de liquidez daquele momento, podendo inclusive sofrer perdas para poder honrar os resgates.

Liquidez é ter dinheiro no bolso, não esqueça!

Agora que você já entende o que é liquidez, como ela se manifesta em diferentes situações e quais os níveis de liquidez em diferentes produtos de investimento, está na hora de colocar mais esse fato de análise quando for fazer um investimento. Considere seus planos e o horizonte de tempo e tente fazer com que seus investimentos case com o prazo desses planos.

Faça um planejamento financeiro robusto, organize as contas e sempre tenha uma reserva de emergência, assim você evita o desastre do nosso exemplo do apartamento e fica tranquilo com os seus demais investimentos. Como sempre falamos aqui no blog da Bitso, informação é a maior aliada na hora de investir e ajuda e muito a mitigar os riscos.

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