Viajar usando criptomoedas: utopia ou realidade?

As criptomoedas têm sido uma verdadeira revolução nas finanças globais, criando um sistema financeiro onde realmente não existam fronteiras entre países, pessoas e negócios. Como as criptos não são moedas geridas por um Estado Nacional e sim por um modelo de P2P (peer to peer) elas não conhecem fronteiras geográficas e seus usos não são restritos, uma vez que qualquer indivíduo pode ter sua carteira de criptomoedas sem que ninguém a controle ou censure seu uso. 

Por isso as criptomoedas já estão mudando a forma que viajamos e pagamos por bens e serviços no exterior.

É exatamente essa liberdade de uso que é um dos principais trunfos das criptomoedas, que pode ser usada para pagar qualquer coisa em qualquer lugar, desde que o outro lado da transação esteja disposto a receber em criptos também. Caso a outra ponta não aceite, você pode simplesmente converter a cripto para a moeda local e liquidar a transação. Tudo feito de forma digital, descentralizada e com segurança baseada na criptografia de dados

A complexidade de fazer negócios com várias moedas fiduciárias

Para entender o quão transformacional é esse fenômenos das criptos não terem fronteiras geográficas, vamos ver um exemplo bastante simples: imagine que você é um fazendeiro brasileiro que produz café e vende uma parte da sua produção para uma torrefação na Alemanha. Só que pelo fato de você estar localizado no Brasil é obrigado a usar reais como a sua moeda de uso corrente, seus funcionários são pagos em moeda local, seus insumos e máquinas também. 

Pela lei brasileira todas as transações e preços dentro do país precisam ser em reais e também liquidadas em reais, é ilegal usar outro tipo de moeda dentro do Brasil. 

Retomando, você vendeu seus cafés que tem como referência de preço o dólar, pois o mesmo é negociado na bolsa de Nova York, porém o comprador é alemão e usa euros como moeda corrente. 

Logo existem duas transações que vão acontecer, a transformação dos euros em dólares e posteriormente dos dólares em reais. Tudo isso porque 3 geografias diferentes estão envolvidas e cada uma usa a sua respectiva moeda nacional.

Além da complexidade transacional, existe uma rede de bancos, financeiras e intermediários que se beneficiam da complexidade desse sistema e obviamente tudo isso tem um custo elevado. Existem taxas, spreads (diferenças entre o preço de compra e venda de uma moeda) e o custo de tempo que toda essa burocracia para fazer uma simples venda de um produto. 

As moedas digitais já nascem globais

Claramente o exemplo acima é um caso complexo e que a maioria de nós jamais iremos vivenciar em nossas vidas cotidianas, mas que mostra bem a complexidade de viver em um mundo com diversos países onde cada qual tem sua moeda. Com as criptos essas barreiras são facilmente superadas, basta você transformar de forma simples o seu dinheiro local em alguma cripto, colocar em uma wallet e usar em qualquer lugar do mundo. 

Tudo isso sem ter que usar uma rede complexa de bancos e sem pagar inúmeras taxas. 

E por esse motivo tem crescido o número de usuários de criptos em viagens internacionais, pois os mesmos problemas de diversas taxas de câmbio que um exportador encara são os mesmos encontrados por viajantes ao redor do mundo que precisam lidar com diferentes moedas. 

As vantagens de usar criptos quando for viajar ou enviar dinheiro para o exterior

Para os turistas, a maior vantagem de usar criptomoedas é evitar taxas de câmbio. Se você já esteve no exterior, conhece o problema: você tem que trocar seus dólares por outra moeda, muitas vezes pagando uma taxa exorbitante ou lidando com uma taxa de câmbio desfavorável. Na maior parte dos casos o problema é duplo, você precisa trocar sua moeda por dólares e depois os dólares pela moeda do país para o qual está viajando. Duas taxas para resolver algo relativamente simples. 

As criptomoedas eliminam essas dificuldades e ainda trazem mais segurança para o viajante. 

A velocidade também com que as transações podem ser feitas é outra grande vantagem. Em menos de 15 minutos você pode trocar o seu dinheiro do seu país de origem por alguma cripto e fazer o pagamento no país que estiver, diretamente em cripto ou fazer uma nova conversão. 

Outra vantagem importante é o fato das criptos não serem dinheiro físico e podem estar em uma wallet na nuvem, eliminando o risco de perder o dinheiro em um assalto ou infelicidade parecida. Aumentando em muito a segurança, principalmente em localidades onde a criminalidade pode ser um problema. 

Outro ponto relacionado a segurança das transações são o uso de cartões de crédito no exterior, querendo ou não você está expondo suas informações em outro país e as mesmas podem ser usadas para clonar o cartão e outros tipos de fraudes financeiras contra você. Além dos impostos que pesam no bolso, como o IOF, por exemplo.

Países onde as criptomoedas são aceitas e como os países têm lidado com isso 

As criptomoedas podem ser usadas anonimamente para realizar transações entre quaisquer titulares de contas em todo o mundo e isso levantou algumas preocupações para os governos. 

Embora alguns legisladores e governos possam não apoiar seu uso devido à falta de controle a possibilidade de uso para fins ilícitos, muitos introduziram regulamentações sob as leis de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo de seus países na tentativa de reduzir seu uso para esses propósitos e permitir que cidadões e turistas possam usar criptos livremente dentro desses países. 

A Biblioteca do Congresso Americano realiza revisões periódicas das posições dos países sobre Bitcoin e criptomoedas. Em novembro de 2021, identificou 103 países cujos governos pediram às suas agências reguladoras financeiras para desenvolver leis e regras para instituições financeiras em relação a criptomoedas. Existe até uma iniciativa do G7 (grupos das 7 maiores economias do mundo) para criar regras para transações internacionais com criptos. 

Os principais países e regiões que aceitam o uso de criptos são Estados Unidos, Canadá, União Europeia e El Salvador. Sendo que o último adotou o Bitcoin como sendo a sua principal moeda de uso corrente. 

A seguir selecionamos os locais de viagem mais amigáveis ​​​​ao uso de criptos. Nessas localidades você pode gastar criptomoedas e inclusive encontrar e usar caixas eletrônicos de criptomoedas, onde você converte na hora as suas criptos pela moeda local. 

El Salvador

O país caribenho adotou oficialmente o Bitcoin em 2021, tornando-o moeda legal. 

A cidade litorânea El Zonte, apelidada de “Bitcoin Beach”, é conhecida por oferecer ao turista ou mesmo ao morador do local uma economia 100% baseada no universo das criptomoedas.

São Francisco, Estados Unidos

Como centro de tecnologia dos Estados Unidos, não surpreende que centenas de empresas em São Francisco aceitem pagamentos com criptomoedas. 

Além disso, o próprio governo estadual tem solicitado estudos e análises para incorporar as criptomoedas e o uso da blockchain na gestão pública do maior estado americano. 

Malta 

Também conhecida como “Blockchain Island”, Malta é o lar de muitas empresas e negócios de fintech que aceitam criptomoedas. 

Use sua criptomoeda para culinária à beira-mar e aventuras de ilha em ilha no arquipélago.  

Vancouver, Canadá

O primeiro caixa eletrônico de Bitcoin foi fundado no centro de Vancouver, alguns anos atrás. Agora, mais de 50 empresas na cidade aceitam pagamentos em criptomoedas. 

É ainda apenas uma fração muito pequena dos negócios de uma das maiores cidades do Canadá, mas a aceitação a esse tipo de pagamento vem subindo aos poucos.

Praga, República Tcheca 

Segundo um levantamento feito pela Forbes, a capital deste país europeu possui o maior número de estabelecimentos que aceitam Bitcoin no mundo.


Alguns turistas relatam que conseguem realizar tudo que desejam na cidade, como se hospedar, ir a restaurantes e festas noturnas usando apenas sua wallet de criptomoedas. 

Locais não tão amigáveis ​​- Argélia, Bolívia, China, Egito, Nepal e Vietnã não permitem que você use Bitcoin ou outras criptomoedas em compras e viagens. É explicitamente proibido o uso de criptomoedas e está na lei desses países. 

Um pouco de regulação é bom sinal para o viajante

Apesar de existirem restrições ao uso em alguns países, como os da lista acima, outros estão criando esforços multilaterais para garantirem o uso para coisas lícitas. O que é um ótimo sinal para todos nós que queremos ter a liberdade de usar nossas criptos em qualquer lugar do mundo. Além de ser uma sinalização de que governos e organizações multilaterais estão dispostas a aceitar e a conviver com as criptos. 

Em 2019, a Força-Tarefa de Ação Financeira, um órgão intergovernamental que inicia políticas de combate à lavagem de dinheiro para o G7 e mais 30 países desenvolvidos, recomendou uma abordagem coordenada para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. 

A regra, formalmente conhecida como Recomendação nº 16, exige que as exchanges comuniquem as informações de quem transferiu e de quem recebeu valores que excedem um determinado limite. Mais especificamente, os regulamentos exigem que os países troquem informações sobre as identidades do originador e do beneficiário sempre que o valor transacionado for superior a US$1.000.

Em essência, sempre que criptomoedas com valor superior a US $1.000 são transacionadas entre duas partes, espera-se que o provedor de serviços de cripto do remetente comunique as informações de identificação pessoal do remetente ao exchange do destinatário e vice-versa. Cada país poderá adotar variações dessa regra de acordo com a forma que acharem melhor. 

Um mundo sem fronteiras financeiras: já pensou?

Você já percebeu a revolução que os criptos estão trazendo para o mundo e essa mudança na forma que viajamos e pagamos pelos serviços no exterior é apenas mais uma possibilidade desse universo que só cresce em todo um mundo.

Vale ressaltar que a utilização das criptomoedas como meio de pagamento em viagens só não é maior devido a um desconhecimento do grande público a respeito dos benefícios dessa forma de receber vendas ou fazer compras.

O blog da Bitso tem a missão de difundir esse conhecimento e quebrar ‘tabus’ que existem no mercado tradicional. Estamos aqui para isso! 

Conte com a Bitso nessa jornada de conhecimento no mundo das criptomoedas.

Arthur Solow é economista pela Escola de Economia de São Paulo da FGV e pós-graduado em Business Analytics e Big Data também pela FGV. Possui experiência em análise e monitoramento de dados, comunicação política, criação de conteúdo e educação financeira. É confundador do Terraço Econômico. É apaixonado pelo universo cripto e tem convicção que estamos vivendo apenas o início da enorme revolução da nossa forma de lidar com o dinheiro.