O que é risco de mercado e como isso afeta a sua carteira?

Imagem de escada com dominós enfileirados e uma moeda.

Ao longo da história da humanidade grandes nomes da filosofia perceberam que viver é arriscado, e que não correr riscos impõe a necessidade de deixar de viver.

Até mesmo para quem não está acostumado com questões filosóficas, é fácil perceber que tudo na vida está relacionado com algum grau de risco, podendo ser maior ou menor e, claro, variando de acordo com o cenário. Quando vamos para a academia estamos correndo algum tipo de risco, assim como também corremos outro tipo de risco no momento em que decidimos passar o dia todo vendo televisão.

Se tudo na vida envolve riscos, nos investimentos isso não seria diferente – muito pelo contrário – como já mostramos em outros artigos. Mas, assim como viver, não há como demonstrar neutralidade – optando por não investir -, pois isso seria muito mais arriscado de qualquer forma. Deixar o dinheiro ‘debaixo do colchão’ certamente não é boa ideia.

Descartando a opção de não investir, precisamos entender as opções disponíveis para aplicação do dinheiro, a exemplo das criptomoedas. Isso necessariamente leva em conta avaliar os riscos envolvidos, com o objetivo de aumentar lucros e reduzir prejuízos.

Então, como um necessário próximo passo, precisamos entender o que é risco de mercado e como isso afeta a sua vida.

O que é risco de mercado?

Risco de mercado são variações não previstas na forma do mercado se “comportar”, determinadas, principalmente, por mudanças que ocorrem na economia e na política.

Apesar de não ser um ente animado, isto é, que tem vida, o mercado possui o seu próprio comportamento, que nada mais é do que uma tendência à frente de determinadas situações. Por exemplo, em um momento de grave crise econômica, o mercado tende a ficar mais pessimista, apresentando um comportamento de mais cautela em relação aos riscos, o que impõe baixa nos preços dos ativos e desconfiança com o futuro.

Mas, falando melhor a respeito de riscos, estes se encontram em todo o mercado e, em especial, no mercado de ações. Quando o preço de uma determinada ação oscila muito, isso pode desencorajar a aplicação dos pequenos investidores, porque essa volatilidade significa maior risco. 

O comportamento incerto do mercado – saindo de uma tendência esperada – pode ser determinado por fatores econômicos, políticos ou até mesmo específicos de um grupo específico de empresas.

Quanto mais variáveis (voláteis) são os preços dos ativos – como ações, Bitcoins, títulos de renda fixa, etc -, maiores são os riscos de mercado. 

Sobre isso, vamos imaginar algo prático. 

Imagine que você vai investir em um ativo que sofre a todo momento repentinas e grandes variações no seu preço. Nesse caso, fica fácil observar que você estaria investindo em um ativo com elevado risco, não é mesmo? Porém, e se quisermos fazer alguma comparação entre ativos para descobrir qual deles é o mais volátil?

Pensar em exemplos extremos – um investimento com enormes variações e outro com variações bastante pequenas – pode facilitar a nossa vida. O difícil é quando temos ativos que variam de forma parecida. Nesse caso, temos que recorrer a estatística, a medida de desvio padrão, em que quanto maior (menor) é o desvio, maior (menor) é a volatilidade.

Os eventos que estão relacionados com o risco de mercado

O tempo é outro fator importante quando o assunto é risco de mercado. O risco fica maior quanto mais longo é o tempo de vencimento do ativo. De novo, vamos para uma situação prática, imaginando que você fará um investimento que vence em algumas décadas. Você consegue ver o tanto de coisa que pode acontecer nesse tempo? Trocas de governo, pandemias e muito mais, aumentando o risco de mercado.

Junto com o tamanho da volatilidade e o próprio tempo de vencimento do ativo, uma forma de medir o tamanho do risco de um investimento é através da diferença entre o investimento e a sua referência. No caso dos ativos de renda fixa, por exemplo, a referência é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

Além disso, o risco pode ser encarado como o preço de um prêmio. Lembra do famoso “no pain, no gain” que em português significa algo como “sem dor, sem ganho”. No caso do mercado de ativos, uma maior “dor” (risco) pode ser promessa de ganhos mais elevados.

Apesar da explicação já realizada, o risco de mercado ainda envolve outras observações, algo que depende da avaliação do contexto e do perfil de investimento do indivíduo disposto a realizar uma aplicação financeira.

Quais são os outros tipos de riscos?

Agora que você já sabe o que é risco de mercado, vamos aprofundar mais nesse assunto. De maneira geral, podemos listar quatro principais riscos presentes no mundo dos investimentos:

  • risco de crédito;
  • risco de liquidez;
  • risco operacional;
  • risco sistêmico.

O risco de crédito possui relação com a possibilidade de um título que faz parte da carteira de investimento não ser pago (ou liquidado com atraso) pela instituição emitente. Nesse tipo de situação, o risco envolve a perda de rentabilidade da carteira em função da perda de valor sofrido pelo título. Imagine que você receberia um pagamento do Banco XYZ de um CDB que havia investido. Se essa instituição não fizer o pagamento, você vai ficar no prejuízo, pois não vai receber juros nem o principal.

Falando de liquidez, o termo consiste na capacidade que um investimento possui para ser transformado em dinheiro. O risco de liquidez se refere às dificuldades que podem ser encontradas na venda de títulos da carteira de investimentos, algo que pode acontecer em razão da baixa liquidez de recursos no mercado ou pela ausência de atratividade na compra dos títulos.

No caso do risco sistêmico, tem-se uma situação de conjuntura, podendo esta ser nacional e/ou internacional. A conjuntura econômica ou política acaba gerando impactos em importantes variáveis, como na taxa de juros e no valor do câmbio, e isso afeta diretamente o rendimento dos investimentos.

O risco operacional envolve a possibilidade de um erro de execução durante uma operação. Esse tipo de erro pode ser causado por uma falha humana. Nesse caso, imagine que você colocou uma ordem de compra no seu Home broker para ser executada quando o preço de determinada ação passasse de R$30. Se isso ocorreu e a ordem não foi realizada, trata-se de um erro operacional da corretora.

Como o risco de mercado afeta a sua carteira?

A essa altura, já possuímos uma certa bagagem de conhecimento a respeito do risco de mercado, além de alguns outros riscos que estão presentes no dia a dia. Mas, o mais importante disso tudo é: como o risco, principalmente o risco de mercado, pode afetar a nossa carteira de investimento?

Para responder essa pergunta vamos considerar os seguintes tipos de investimento:

  • investimento em renda fixa;
  • investimento em renda variável;
  • investimento em fundos de investimento;
  • compra e venda de criptomoedas.

Já comentamos sobre o risco servindo como uma espécie de prêmio. Isso quer dizer que quanto maior o risco maior é o potencial de ganho. No caso de investimentos em renda fixa, em comparação com investimentos em renda variável, o seu risco é menor e, como consequência, os seus retornos também são menores.

Acabamos de falar de um maior risco envolvendo investimentos de renda variável, algo que resulta na possibilidade de um maior nível de retorno. Contudo, esse tipo de investimento é bastante exposto a variações de mercado, ficando sujeito a sofrer bruscas variações em seu valor. Além disso, os investimentos de renda variável também são expostos a riscos de crédito e de liquidez.

Em relação aos investimentos em fundos de investimento, para observar o menor ou maior efeito dos riscos de mercado é necessário antes levar em conta o tipo de fundo. Fundos do setor imobiliário, por exemplo, sofrem maior impacto de variações do mercado.

Existe risco de mercado nas criptomoedas?

As criptos são expostas ao risco de mercado muito pela ausência de uma autoridade central (responsável por regular operações). Apesar disso, é justamente o funcionamento descentralizado que garante um maior nível de transparência, possibilitando também que criptos sejam um ativo que se recupere bem rápido de crises e quedas. 

Quando falamos de criptomoedas, torna-se necessário perguntar sobre qual cripto estamos falando. Afinal, atualmente existem mais de 10.000 criptomoedas disponíveis no mercado, cada uma com as suas próprias características.

As diferentes particularidades na relação entre cada forma de investimento e o risco de mercado é algo que nos deixa uma lição pedagógica a respeito da nossa forma de aplicar o nosso dinheiro. Quais ativos devemos manter na nossa carteira de investimentos? 

Essa com certeza é uma boa pergunta, mas uma ótima resposta está em manter uma maior diversificação na sua carteira, beleza?

As criptomoedas podem ‘driblar’ os diversos riscos presentes no mercado tradicional.

A compra e venda de criptomoedas pode ser uma forma de diversificar as suas aplicações, a partir de um sistema que adota tecnologia avançada, mantendo elevado nível de segurança e transparência, com independência em relação aos bancos tradicionais. 

Sem falar na possibilidade de negociação 24 horas por dia e projetos que visam resolver várias questões do mundo atual.

Em relação ao nível de segurança e transparência, esse ponto possui ligação com a infraestrutura que suporta as criptomoedas. Essa infraestrutura recebe o nome de blockchain, consistindo no registro de armazenamento de dados, realizada de forma descentralizada, com o objetivo de rastrear as transações realizadas.

Portanto, manter criptomoedas na sua carteira de investimentos, a exemplo do Bitcoin, pode ser uma ótima maneira de reduzir o risco de mercado e quaisquer outros tipos de risco, combinado? Com a Bitso é possível negociar com as mais diversas opções de criptos e em diferentes mercados, tudo com enorme transparência e segurança. E claro, com muito aprendizado aqui no blog.

Graduado em Ciências Sociais (UFRGS) e em Ciências Econômicas (UFRGS), mestre e doutor em Ciência Política (UFRGS). Entusiasta de tecnologia blockchain e do mercado de criptoativos desde 2020, está na Bitso desde janeiro de 2021, atuando como Content Marketing Strategist.