Criptomoedas ou Ações: como escolher?

Dois termos que estão presentes no atual panorama financeiro de quem acompanha o mercado são ações e criptomoedas. Despertando o “investidor” que existe em cada um de nós, ambos os termos geram dúvidas, o que leva a uma velha discussão sobre qual seria a melhor opção, não é mesmo?

Antes de tomar qualquer decisão, precisamos conhecer bem cada um dessas opções, algo que faremos a seguir. Criptomoeda ou ações, eis a questão!

O que é criptomoeda?

Criptomoeda é qualquer forma de moeda que existe digitalmente e usa criptografia para proteger transações. A principal característica das criptomoedas é a ausência de autoridade central na sua emissão ou regulação, sendo utilizado um sistema descentralizado para registro de transações (o blockchain) e emissão de novas moedas (por meio de ICOs).

As criptomoedas não dependem de instituições financeiras para verificar transações, ao invés disso, utiliza-se um sistema ponto a ponto que possibilita a qualquer pessoa, em qualquer lugar, enviar e receber pagamentos. Diferente do dinheiro físico, pagamentos em criptomoeda existem como entradas digitais em um banco de dados online responsável por descrever transações específicas, o blockchain.

Quando você transfere fundos de criptomoeda, as transações são registradas em um livro-razão público e a criptomoeda é armazenada em carteiras digitais.

Desse total de criptos disponíveis, que em setembro de 2022 é de aproximadamente 20 mil, sem dúvida mais popular e com a vantagem de ter sido a primeira a ser criada (em 2009) é o bitcoin. Para algumas pessoas, bitcoin e criptomoeda são sinônimos. Sobre isso, mesmo com toda a importância do bitcoin, é preciso destacar outros ativos que também se enquadram nesse cenário como Ether, ADA, XRP, dentre outras. 

O que são ações?

As ações são negociadas na bolsa de valores, sendo a menor parcela (pedaço) do capital social de uma empresa ou de uma sociedade anônima negociada na bolsa de valores. São valores negociáveis e distribuídos aos acionistas – pessoa natural ou jurídica que é dona de ações – de acordo com a sua participação (do dinheiro investido). 

Ações podem ser emitidas com e sem valor nominal, detalhe que depende do estatuto da companhia. Por exemplo, considerando um caso de emissão com valor nominal, todas as ações terão o mesmo valor, não sendo possível a emissão de novas ações com valor diferente.

E as ações sem valor nominal? Nesse caso, o preço de emissão será definido pelos sócios fundadores da companhia. Sobre essa alternativa de emissão, a companhia pode definir qualquer valor para suas ações, não existe obrigatoriedade para a definição de um valor mínimo.

Na atualidade, as ações são emitidas, em sua grande maioria, na forma escritural, não havendo emissão física de certificados. Outra questão a respeito das ações é a sua classificação, que ocorre de acordo com a natureza dos direitos e vantagens que conferem a seus titulares. Em geral, existem três tipos de ações: ordinárias, preferenciais e de fruição. 

As ações ordinárias possuem como principal característica o direito de voto para tomar decisões. No caso das ações preferenciais, o nome já entrega, tratando-se de uma garantia de preferências que ocorrem no recebimento de dividendos. Sobre as ações de fruição, estas são colocadas em negociação nas bolsas de valores, expressando interesse somente aos fundadores da companhia, sendo bem mais raras na prática do que as duas primeiras.

Qual a diferença entre ações e criptomoedas?

É importante deixar claro que criptomoeda e ações possuem grandes diferenças. Então, para você que está no grupo de “criptomoeda ou ações, eis a questão”, fique sabendo que se trata de opções que tem mais diferenças do que similaridades.

Quer dizer, até existe uma semelhança sim, no que se refere à volatilidade – a oscilação dos preços. Mas pasmem, mesmo nessa “semelhança” existem divergências marcantes.

Como já falamos, ações são pedaços de empresas. Ao adquirir uma ação, você está se tornando sócio (acionista) dela. Suponha que você está comprando ações de uma empresa chamada “H.A.M.L.E.T”, fazendo isso você passará a ser sócio dessa empresa.

A lógica da compra de ações é: quanto mais ações você comprar, mais poder você vai ter na empresa, principalmente em relação aos outros sócios. Esse poder pode ser na tomada de decisões – a partir de um maior poder de voto – ou na garantia de preferências – como no recebimento de dividendos -, algo que depende do tipo de ação, como já vimos antes, certo?

As negociações com ações funcionam de maneira mais centralizada, com a fiscalização sendo realizada por órgãos reguladores. No caso do Brasil, isso é realizado por órgãos como Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ANBIMA e B3.

No caso de uma criptomoeda, não se trata de uma empresa, e sim de uma rede computacional descentralizada. Não existe qualquer dono ou organismo central com a responsabilidade de gerenciar as criptos, com a rede se auto-regulando por meio de protocolos de computação e governança dentro de cada projeto.

Outra diferença entre criptomoedas e ações está nos dividendos. Enquanto ações geram dividendos, o mesmo não acontece com as criptos. Importante lembrar que uma criptomoeda é um tipo de moeda – uma moeda digital -, e moedas não geram dividendos e, portanto, sequer podem ser considerados investimentos.

E sobre a tal “semelhança” entre ações e criptomoedas? Isso ocorre em função da volatilidade, uma variável presente tanto no mercado de ações quanto de criptos. Mas no mercado de criptos a volatilidade é bem maior, muito em função da descentralização desse mercado, que não possui mecanismos como “circuit breaker” por exemplo. Ou seja, o preço das criptomoedas oscila bem mais (para cima e para baixo) do que o preço das ações, e isso configura um risco maior.

No mercado de criptos, o grande mecanismo se chama lei de oferta e demanda, algo que gera oportunidades e garante a eficiência desse mercado.

Quais os riscos de cada um

Não há como fugir, todo investimento possui algum tipo de risco, algo que exige atenção e conhecimento. Já fizemos essa observação em outros textos, destacando que até o Tesouro Direto, considerado como o investimento mais seguro do Brasil, não escapa de riscos.

Mas se não há como fugir, podemos compreender quais são os riscos mais comuns do nosso investimento. No caso das criptomoedas e das ações, quais são os principais riscos envolvidos?

Principais riscos das criptomoedas:

  • ataques cibernéticos;
  • pouca ou nenhuma regulamentação;
  • tecnologia recente.

As criptomoedas são moedas digitais, isto é, podem sofrer ataques cibernéticos que prejudicam as operações, gerando fraudes e perdas. Pelo menos na teoria, esse tipo de ataque pode ser facilitado pela baixa regulamentação do mercado de criptos, provavelmente a principal característica desse tipo mercado, que não possui nenhum controle centralizado. 

O próprio fato das criptos serem uma tecnologia bem recente também pode ser visto como um risco, que pode provocar algumas incertezas e certas limitações quanto ao seu uso. 

Já no caso das ações, os principais riscos são:

  • desempenho das empresas;
  • decisões de governos;
  • dinâmica do mercado financeiro de renda variável.

O valor das ações depende do desempenho das empresas. Já pensou em comprar ações de uma empresa com sucessivos prejuízos e recentes escândalos de corrupção, sem saber desses detalhes? Decisões de governos também importam, e muito, pois a decisão de alguma autoridade política pode derreter o mercado de ações, um mercado bem mais centralizado, causando grandes prejuízos. 

Sobre a dinâmica do mercado financeiro de renda variável, ela também pode causar prejuízos, possibilitando que uma pessoa possa vender ações por um preço abaixo do que comprou em um momento de bear market, onde o pessimismo domina os sentimentos dos investidores.

Vantagens e desvantagens de cada um

Depois dos riscos, é importante falar das vantagens e desvantagens, mais um passo para respondermos com segurança a nossa questão inicial, o “criptomoedas ou ações, eis a questão”.

As vantagens das criptomoedas, de bate-pronto:

Segurança. Sim, é isso mesmo que você acabou de ler. Mesmo não havendo nenhuma autoridade central, a alta tecnologia das criptos garante a manutenção de um ambiente seguro e transparente para as transações, reduzindo a possibilidade de ataques virtuais, por exemplo.

A descentralização, com a ausência de uma autoridade central ditando uma série de regras, permite que as transações se tornem menos burocráticas e mais fáceis de ocorrer, reduzindo as chances de corrupção.

Além disso, a tendência é que uma cripto, como o Bitcoin, se valorize em relação ao real, fazendo que essa cripto mantenha o seu poder de compra ao longo do tempo.

Em relação às vantagens das ações:

  • diferentes tipos de retorno;
  • leque de opções;
  • liquidez.

Ações permitem retornos tanto por meio da valorização quanto por meio de dividendos. Junto com esses diferentes retornos, há também um bom leque de opções, que pode atrair pessoas com diferentes perfis de investimento.

Em relação à liquidez, as ações, assim como outros ativos de renda variável, podem ser convertidos em dinheiro de maneira relativamente rápida.

Não só de vantagens vive um investidor, por esse motivo também precisamos falar das desvantagens, com parte delas estando muito ligadas aos riscos – comentados anteriormente -, presentes em qualquer tipo de aplicação financeira.

Entre as desvantagens das criptomoedas temos a elevada volatilidade no curto prazo e a existência de certa resistência, que impede uma maior popularização das criptos, motivada pela ausência de uma autoridade central e por ser um mercado muito novo. 

A possibilidade de ataques cibernéticos é outra questão, apesar dos grandes avanços nos protocolos de segurança, uma desvantagem presente nesse mercado.

No caso das desvantagens das ações, o investidor tem que ficar atualizado sobre a situação econômica e política dos países. A decisão de um governante já é capaz de derrubar o mercado de ações, imagina o que acontece em um contexto de alta da inflação. Outra desvantagem está na menor eficiência, afinal, o mercado de ações nem sempre é guiado pela demanda e oferta, algo que pode enganar e resultar em prejuízos para quem colocou o seu dinheiro nesse tipo de investimento.

Como identificar qual é melhor para colocar o seu dinheiro

Sobre identificar qual é a melhor opção para investir, já está quase se tornando um bordão em nossos textos, o conselho de entender o seu perfil de investidor, junto de outras questões específicas e de ordem pessoal, como os seus objetivos e o contexto dos mercados.

Qual é o meu perfil de investidor? O que eu quero ganhar com os meus investimentos? E qual é a situação do mercado que eu quero entrar? Essas são algumas das boas perguntas que devem ser feitas antes de optar por um investimento.

Mas claro, na hora de avaliar as criptomoedas como uma opção, é importante entender que se trata de investir em uma revolução financeira que se expande de maneira impressionante.

Ações e criptomoedas são coisas muito diferentes, mas isso não impede a expansão das criptos para as bolsas de valores. É cada vez mais comum que grandes empresas passem a utilizar criptos em seus negócios e investimentos, principalmente o Bitcoin, que atualmente é a criptomoeda mais valiosa do mundo.

Com isso, o Bitcoin pode ter a capacidade de impactar empresas e, por consequência, gerar impacto no valor das ações. A tendência é que empresas que possuem Bitcoins (ou outra cripto) tenham melhor desempenho no longo prazo, alterando o “valuation” (valor) das empresas. 

Sem falar de uma nova possibilidade, a tokenização de ações, uma junção revolucionária entre os dois mercados.

Isso indica que a compra de criptomoedas deve se intensificar muito mais com o tempo, mantendo a sua enorme rede descentralizada e com alta eficiência (movida pelas leis de demanda e oferta), com a capacidade de impactar cada vez mais em inúmeros outros mercados.

Criptomoeda ou criptomoeda, essa deve ser a questão!

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