Curve DAO e o token CRV: uma ideia inovadora para escalar o DeFI

Considerando um sistema bancário tradicional, um empréstimo apenas acontece se tivermos uma pessoa que tem recursos disponíveis, outra pessoa que esteja precisando deles e uma instituição para intermediar essa relação. No universo cripto a intermediação desaparece e a única ponta realmente essencial é aquela que fornece a liquidez. Curve DAO, que é o assunto deste artigo, é uma das possibilidades existentes.

Esse fornecimento de liquidez (que forma os chamados pools de liquidez) ocorre da seguinte forma: usuários que pretendem obter algum ganho com criptomoedas que possuem deixam seus estoques nos chamados cofres durante algum tempo e, durante esse tempo, recebem certa remuneração. Essa inovação trazida pelas Finanças Descentralizadas têm ganhado cada vez mais destaque.

Outros projetos de criptomoedas também permitem que você faça isso, como são os casos de Yearn Finance e UniSwap. A diferença aqui é que o foco, para trazer mais pessoas interessadas está em stablecoins como base do sistema transacional. 

Ficou confuso? Vem com a gente que você vai entender tudo isso!

Qual a história da Curve DAO?

O projeto que tem como criptomoeda o token CRV foi lançado em janeiro de 2020, tendo como fundador e CEO o cientista russo Michael Egorov. Essa não é a primeira experiência de Egorov com criptomoedas: em 2015 ele participou da fundação e foi o CTO da NuCypher, empresa que tem como foco a criação de protocolos de preservação de privacidade e, além disso, também é fundador da LoanCoin, banco descentralizado e rede de empréstimos.

A ideia do projeto é ser uma exchange descentralizada (DEX), o que significa que tem como objetivo atender a todos que se interessam por DeFi, mas principalmente quem deseja realizar yield farming (obter rendimentos oferecendo liquidez) e, com uma diferença, principalmente quem busca fazer isso deixando suas stablecoins ali depositadas.

Uma dificuldade existente no campo da geração de liquidez está justamente na oscilação das cotações (e, em termos de criptomoedas, volatilidade é quase sempre uma constante); todas as vezes que o valor depositado nos cofres fica muito abaixo do necessário para “manter a operação” funcionando, esses cofres são liquidados e, consequentemente, tudo que tem dentro deles passa a valer zero.

Em função dessa limitação, as DEXs com foco justamente nessa formação de pools de liquidez para empréstimos acabam tendo menos atenção, porque apesar da alternativa ser inovadora e reduzir custos por tirar uma parte da cena (a instituição financeira que intermediaria), acaba esbarrando em alguma grande oscilação de cotação que colocaria o conteúdo dos cofres (e da liquidez como um todo) em risco.

O diferencial trazido então pela Curve DAO em permitir que as pessoas gerem a liquidez utilizando suas stablecoins é que, como essas moedas digitais buscam uma equiparação a outras moedas o tempo todo, essa estabilidade faz com que seu valor nominal siga sendo o mesmo. 

Ou seja, aquele risco constante de uma forte oscilação liquidar os cofres com tudo dentro se reduz bastante nesse modelo.

Importante deixar bem claro que esse risco não fica zerado: stablecoins também precisam de realizar operações próprias de compensação para se manterem naquele valor buscado – como por exemplo acontece com MakerDAO (MKR), a criptomoeda que se movimenta com o objetivo de manter a stablecoin DAI sempre pareada ao dólar (em uma relação de um para um).

Outro ponto que não pode ficar de fora: tal qual a clássica lição das finanças, se riscos maiores apresentam maiores chances de entregarem resultados também maiores, com o risco menor veremos resultados também menores. Então, em termos de outros projetos cripto com a mesma intenção, os ganhos possíveis para quem fornece liquidez no caso da Curve DAO são mais modestos.

Um dos reflexos de que esse projeto chamou a atenção dentro do mercado de exchanges descentralizadas está nos dados: se por um lado quem domina em termos de volume é o UniSwap (com cerca de ¾ do total), Curve está em disputa acirrada pelo segundo lugar com SushiSwap.

Como funciona a Curve DAO e o token CRV?

Este projeto é uma exchange descentralizada (DEX) que se utiliza de mecanismos de criação de mercado automatizado (da sigla em inglês AMM) para gerenciar a liquidez. Como já mencionado, a diferença desse projeto para outros já existentes com a mesma intenção é que o foco aqui está sobre a liquidez alcançada por meio de stablecoins – como é o caso de TrueUSD, que é aceita na plataforma.

O funcionamento acontece dentro da rede Ethereum, com base na ferramenta Aragon, para conectar a liquidez dos usuários através de contratos inteligentes. Apesar de ser “regida” por essa estrutura, quando se fala em governança temos a execução por outro meio: o token CRV.

Temos no token CRV, que é a criptomoeda nativa dessa plataforma, o meio de gerenciamento feito pelos próprios usuários – que significa que esse é um token do tipo utility token. São ao total 3,03 bilhões de unidades desse token, dos quais pouco mais de 60% estão distribuídos entre os fornecedores de liquidez, 30% estão com acionistas do projeto, 3% com funcionários e outros 5% formam uma chamada reserva comunitária.

No caso deste token, não há mineração: a liberação é feita diretamente pela Curve. Desse total, em até um ano após o lançamento foram liberadas cerca de 750 milhões de unidades. Quem detém esse token então participa de decisões estratégicas para o futuro da plataforma.

Em termos de cotação, começou valendo quase US$7, caiu fortemente para a faixa entre US$0,30~1,00 poucos meses depois e, logo a seguir, passou por forte volatilidade, tendo passado por exemplo a valer na mínima cerca de US$1,40 e na máxima US$6,50, tudo isso no recente tempo em que existe. Ficou na faixa entre US$2~3,50 no primeiro trimestre de 2022.

Apesar de toda oscilação que observamos nas cotações, um aspecto muito importante de ser verificado quando o assunto é uma DEX que busca gerar liquidez é o volume de negociação, porque é justamente esse ponto que mostra qual o interesse das pessoas por esse projeto. E, como foi comentado, apesar desse mercado ser dominado pelo projeto UniSwap, Curve DAO disputa fortemente o segundo lugar com SushiSwap.

Vantagens e desvantagens do projeto Curve DAO e do token CRV

Todas as vezes que você estiver pensando se vale a pena ter ou não alguma criptomoeda em sua carteira, não deixe de observar quais os objetivos daquele projeto como também quais são as boas e más notícias que ele traz. 

Vamos então olhar o lado positivo primeiro, para em seguida lhe apresentar os pontos de atenção.

Pelo lado das vantagens, temos que:

  • É um meio atraente de formação de liquidez porque leva em conta a estabilidade dos projetos envolvidos que podem ser depositados; 
  • Em segundo lugar, é um projeto que ganhou visibilidade e vem ganhando cada vez mais espaço; 
  • Como terceiro ponto, temos que é um meio de conseguir obter retornos em cripto com risco razoavelmente baixo em relação aos modos alternativos existentes;
  • Baixo risco associado à volatilidade: os projetos depositados são stablecoins, essa estabilidade significa que com menores chances os cofres que recebem os depósitos terão liquidações (não que seja impossível, mas a chance de ocorrer é bem menor).

Quando olhamos para os pontos de atenção, quase todos eles são relacionados ao próprio universo das DEX: 

  • Por serem ainda muito pequenos, esses projetos demandam de maior tempo de maturação de processos (e essa desconfiança existente contribui para que sigam pequenos por um tempo prolongado); 
  • Como segundo ponto temos o outro lado da moeda do baixo risco: o retorno envolvido é bem mais controlado, o que significa que outras alternativas (inclusive no sistema bancário tradicional) podem ser mais atraentes em função dos riscos envolvidos;
  • Risco de tomada de decisão concentrada: é a empresa Curve quem define quando os próximos tokens ficarão disponíveis e como isso funcionará; trata-se de um projeto sim descentralizado, mas sujeito a esse tipo de decisões (mesmo que elas sejam decididas com base em quem tiver as unidades do token CRV);
  • Risco específico de projeto depositado: por mais que a Curve já tenha passado por auditoria e tenha suas relações tocadas por meio dos seguros contratos inteligentes, se algum token lá depositado tiver forte oscilação, por qualquer que seja o motivo, você sentirá esse efeito utilizando a Curve.

Esse último risco cabe um adendo: em todos os projetos que você se interessar sobre que envolvam essa formação de liquidez, como o funcionamento acontece recebendo outras criptomoedas como depósitos, os riscos de cada uma dessas criptomoedas se soma ao risco total da plataforma.

Em uma analogia com o sistema financeiro tradicional fica mais fácil de entender. Quando você deposita reais em um CDB, está “emprestando” dinheiro a alguma outra ponta com intermédio do banco, mas isso é feito em uma moeda só, com seus próprios riscos e volatilidades. Fazer isso no universo cripto seria como poder fazer com várias moedas fiduciárias de uma só vez.

Pense: se apenas realizando operações com o real já temos uma volatilidade importante a ser considerada por exemplo em relação ao dólar, quando falamos de diversas criptomoedas que apresentam volatilidades entre si, a questão fica ainda mais complexa de se observar. 

Possivelmente temos nisso um dos maiores motivos pelos quais o volume das DEX, em relação a todo o mercado de criptomoedas, ainda é tão reduzido.

Como comprar CRV na Bitso?

Tendo lido tudo até aqui pode ser que você tenha pensado “gostei desse projeto, vou querer ter na minha carteira”. Aqui vai a boa notícia: com simples passos você pode fazer isso aqui na Bitso! Vamos a esses passos:

  1. Abra sua conta na Bitso;
  1. Envie seus recursos fiduciários (reais) para a conta na Bitso. Ah, se você já tiver recursos na carteira, tudo bem! Aí é só pular para o próximo passo;
  1. Tendo o saldo lá disponível, procure a Curve DAO (CRV) na aba de criptomoedas;
  1. Faça a conversão e pronto!

Se você gostou, está esperando o quê para colocar a mão na massa e ter CRV em sua carteira?

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