O que é e como fazer o câmbio de criptomoedas?

Imagem de moedas sendo trocadas.

Existem centenas de milhares de opções de criptomoedas disponíveis no mercado cripto. Além disso, são centenas de moedas fiduciárias, como real, dólar e euro. 

Você já pensou quantas taxas de câmbio existem entre criptomoedas e moedas fiduciárias? E ainda mais, quantas conversões são possíveis entre Bitcoin e outras criptos e mesmo apenas entre tokens

Neste artigo vamos tratar sobre como fazer o câmbio via criptomoedas, quais as vantagens, desvantagens e como o sistema de câmbio global evoluiu ao longo de vários anos, além de como as criptomoedas podem resolver e tornar ainda mais eficiente esse tão importante mercado

Como funciona o câmbio hoje? E de onde ele veio?

Antes de entrarmos no câmbio de criptomoedas, é necessário um passo atrás para entendermos a importância de um sistema de câmbio global e como ele evoluiu. 

Esse é o verdadeiro sangue que se movimenta nas veias da economia global. 

Um passinho atrás, para os primórdios

O mundo econômico que conhecemos hoje, onde diversos países produzem as mais diversas mercadorias e as trocam entre si, usando uma complexa rede de logística e finanças, começou a ser formado nos anos 1800. Desde dessa época começou a ser desenvolvido um complexo sistema financeiro capaz de financiar essas operações e também facilitar os pagamentos, afinal de contas cada país tinha a sua moeda e as trocas tinham que acontecer de alguma forma. 

Logo foi necessário desenvolvimento de um sistema de referências e trocas entre as moedas para que o nascente comércio global pudesse fluir. A Inglaterra era naquele momento o principal exportador e importador do mundo. Era a primeira revolução industrial e a quantidade de produtos industrializados começou a crescer vertiginosamente, os ingleses exportavam tecidos, sapatos e bens industriais enquanto importavam uma quantidade crescente de matérias primas de todo o restante do globo. 

Logo, era preciso criar um sistema financeiro que desse suporte a todas essas trocas. 

A dificuldade de se fazer trocas (ou câmbio)

Se cada país tem a sua moeda, e cada um colocava um valor no produto de uma forma diferente, por exemplo, um quilo de carne de vaca poderia custar uma libra na Inglaterra e 10 dólares nos Estados Unidos, então qual seria a taxa de troca de uma moeda pela outra? Bom pelo referencial do exemplo, 1kg de carne de vaca que é um produto igual em ambos os países seria a referência de troca e por isso determinamos que 10 dólares equivalem uma libra. 

Obviamente a carne de vaca não foi a referência, pois não era um produto raro e duradouro, e se a produção de carne de vaca dobrasse? Assim, o referencial precisaria mudar, se não houvesse uma desvalorização de ambas as moedas do exemplo. Logo se a produção de carne dobrasse, teria que ser 20 dólares por 0.5 libras. E a carne de vaca não tem nenhum valor intrínseco e também perecível, estraga, seria impossível poupar em carne. 

Por isso, se decidiu usar um metal precioso que já era usado como moeda referencial há séculos, o ouro. 

O Padrão Ouro: colocando tudo na mesma base!

Portanto, todas as moedas passaram a ter cotações referentes ao ouro, na verdade a Libra já tinha isso, o nome libra esterlina vem do peso correspondente ao ouro que cada nota ou moeda lhe dava o direito de converter no Banco da Inglaterra. 

Logo o comércio global era apoiado pelo sistema ouro, onde todas as moedas eram referenciadas a este metal, permitindo assim a criação de taxas de câmbios bilaterais entre dois países, sempre usando o ouro como referência, exatamente igual a mecânica do nosso exemplo da carne de vaca. 

Tal configuração ficou conhecida como o padrão ouro. 

Esse padrão durou até os anos 1970, quando deixou de ser adotado e foi abandonado pelos Estados Unidos, já a principal economia do mundo. E aí chegamos para o padrão atual, onde as moedas flutuam livremente em relação ao dólar americano e suas taxas de câmbio são determinadas pela oferta e demanda de cada moeda em relação ao dólar. 

Estamos na era das moedas de cunho forçado ou fiduciária, pois não há necessariamente um lastro físico para referenciar o valor da moeda nacional

Saiu o Ouro e entrou o Dólar! 

Hoje a principal referência para o mercado de câmbio global é o Dólar Americano. Todos os dias as moedas negociam contra o dólar, onde nos mercados financeiros compradores e vendedores colocam os preços que estão dispostos a comprar e vender determinada moeda em relação ao dólar. 

Conforme os preços de compra e venda vão se casando, os negócios vão saindo e assim o preço das moedas vai sendo determinado ao longo do dia. É exatamente por causa desse dinâmico processo de compra e venda que a cotação de uma moeda, por exemplo, o real vai mudando ao longo do dia.

Atualmente estamos vivendo uma nova fase da relação com o dinheiro, estamos vivendo a transição do modelo fiduciário onde as moedas não tem valor intrínseco em relação a um bem físico e tem suas ofertas controladas por bancos centrais para um modelo de criptomoedas, na qual a emissão não depende de um Estado e o controle é feito de forma descentralizada por algoritmos que comprovam e atestam cada transação.

Por design as criptomoedas são globais, nenhum país as controla, logo elas estão acessíveis a basicamente qualquer ser humano no planeta com conexão a internet. Mesmo que uma pessoa esteja em um determinado país onde não existe uma exchange para comprar, ele pode minerar uma criptomoeda, colocando seus recursos computacionais a disposição da rede descentralizada de processamento de alguma cripto e assim receber tokens como recompensa. 

O que é o câmbio de criptomoedas?

Toda essa introdução para entrarmos no nosso tema principal, que é uma possível nova fase do sistema financeiro global, onde uma única moeda deixa de ser padrão global e uma série de criptos poderão passar a assumir esse papel, no qual cada moeda, como o real por exemplo, terá sua taxa de câmbio para uma série de criptos, todas determinadas pelo mercado. Exemplos: real contra Bitcoin, real contra Ether, dólar contra Ripple e assim por diante. 

Hoje já é possível trocar reais por quase todas as criptomoedas usando corretoras de criptomoedas, como a Bitso por exemplo. Existem preços de trocas ou conversões para diversas criptos e tokens. Assim é possível acessar uma “moeda” global sem ter que passar pelo dólar. 

É precisar ressaltar que as taxas de câmbio do Bitcoin para real e para o dólar são equivalentes ao mercado padrão de câmbio, caso contrário seria possível lucrar convertendo reais para Bitcoins e depois para dólares em relação ao mercado usual de câmbio. Isso se chama arbitragem e como o mercado de criptos já é bastante líquido, é muito difícil ganhar dinheiro com essas pequenas diferenças, mas tem muita gente que busca ganhos rápidos por meio da arbitragem. 

Logo, o equilíbrio financeiro das taxas de câmbio não é ameaçado pela entrada das criptomoedas no mercado global de câmbio, apenas muda o meio de conta, assim como foi do ouro por dólar e, quem sabe, do dólar para alguma cripto. As criptos podem ser um novo meio de troca entre as diversas moedas do mundo. 

Resumindo: o câmbio de criptomoedas é a simples troca de reais por alguma outra cripto. E uma vez com essa cripto na carteira, ela também poderá ser trocada para qualquer outra moeda fiduciária, inclusive o próprio dólar ou mesmo para outros projetos de criptomoeda.

Quais as vantagens de fazer o câmbio via criptomoedas?

As vantagens começam pelo próprio ambiente onde as criptomoedas foram criadas, a internet, criando um ambiente totalmente digital para trocar moedas fiduciárias por criptos, via exchagens confiáveis e seguras como a Bitso

Além disso, como já vimos em outros textos, o mercado de câmbio possui camadas de intermediários como bancos, casas de câmbios e outras instituições financeiras, que podem acabar deixando o câmbio caro. Fazer isso por meio de criptos pode deixar todo o processo de câmbio mais barato e justo.

Por ser um ambiente de mercado completamente livre de amarras estatais, o câmbio de criptos pode ser muito vantajoso para moradores de países onde exista algum tipo de controle cambial, como na Argentina onde o cidadão só pode comprar US$200,00 por mês, pela falta de dólares do Banco Central de lá.

Via criptos, pode haver um meio para que esse limite seja superado, uma vez que o cidadão poderá converter para dólares depois. Além de superar limites de controles de capitais, existem países no mundo – principalmente nações em desenvolvimento –  onde ainda não existem mercados financeiros organizados o suficiente para fornecer serviços cambiais. 

No fim, as criptomoedas tem essa capacidade incrível de democratizar o acesso aos recursos financeiros, assim como foi idealizado pela Cardano em alguns países africanos, por exemplo.

Como esse processo de câmbio de criptomoedas facilita a vida das pessoas?

Com os exemplos acima é fácil ver que o mercado de criptos pode ser muito eficiente quando se quer pagar ou receber pagamentos internacionais, apesar da tecnologia não ter sido desenvolvida com esse intuito, ela por natureza permite a criação de “moedas” globais e com isso cria de forma natural um verdadeiro mercado global de moedas. 

Logo é fácil transacionar moedas fiduciárias ao redor do mundo usando as criptos como um meio, assim como o ouro foi usado por séculos. 

O mercado de câmbio tradicional tem custos associados ao câmbio de uma moeda, o chamado spread e a necessidade dos bancos intermediantes para fazerem com que o dinheiro flua de um país para o outro. Além disso, existem os Bancos Centrais que controlam as reservas em moeda forte que cada país tem, caso o país não disponha dessas reservas em abundância, controles de capitais como os existentes na Argentina, que discutimos acima, podem ser implementados, criando barreiras regulatórias ao envio de recursos para o exterior. 

Logo o mercado de cripto cria um mecanismo mais barato, eficiente e longe de amarras regulatórias dos governos. Além disso, o envio do dinheiro para o exterior via criptos pode superar problemas tributários, com operações mais baratas do que as usuais. 

Câmbio de criptomoedas é a forma mais democrática de lidar com o dinheiro

Existe também uma democratização da possibilidade de se enviar dinheiro para o exterior, uma vez que isso pode ser um processo custoso e dependendo da quantia até envolver serviços bancários apenas disponíveis para indivíduos muito ricos. Com o modelo de criptos isso pode ser resolvido de forma bem mais barata e eficiente. 

Também pode funcionar como uma poupança em uma moeda que não seja a local, ajudando pessoas que vivem em economias com altas taxas de inflação a encontrarem opções de se protegerem desses fenômenos. 

Câmbio por meio de criptomoedas é mais seguro, rápido e prático

As criptos são uma inovação não apenas em transações dentro do país, mas também estão gerando uma nova fronteira de possibilidades em relação ao mercado de câmbio, tornando essas transações mais simples, baratas e até mesmo ajudando cidadãos que antes tinham amarras de seus governos para acessar o mercado global de moedas. 

Esse é um poder incrível de liberdade que as criptomoedas estão trazendo. É uma evolução constante, que aos poucos vai sendo incorporada aos processos financeiros tradicionais, como é o mercado de câmbio, por exemplo.
Para essa e mais novidades do mundo cripto e suas conexões com o mercado financeiro, não deixe de acompanhar os conteúdos do Blog da Bitso.

O Time Bitso é formado por especialistas em criptomoedas, garantindo informações seguras e precisas sobre o mundo cripto.