Saiba tudo sobre os tokens ERC-20: função, características, padronização e muito mais!

Imagem do logo da Ethereum no centro com moedas ao seu redor.

Existem redes de blockchain tão amplas que abrigam uma série de tokens em seu ‘guarda-chuva’. Tokens ERC-20 são alguns projetos de base padronizada entre si que estão embaixo do enorme ambiente da rede de blockchain Ethereum. 

Nosso assunto no artigo de hoje será esse tipo de token.

Um breve spoiler: aqui você entenderá como a padronização, que é algo que talvez não combine com descentralização, na verdade ajuda tanto na criação e desenvolvimento de projetos dentro de uma rede blockchain. Vamos então aos tokens ERC-20!

O que é um token ERC-20?

Tokens ERC-20 são aqueles que fazem parte de uma estrutura padrão de contratos inteligentes que buscam facilitar a usabilidade de diversas funcionalidades da rede blockchain Ethereum. Por meio dessa estrutura padrão, são criadas criptomoedas como stablecoins e altcoins, além de tipos de tokens como governança e security.

Essa sigla tem como origem o nome do documento que define quais são as características de padronização: esse documento é o número 20 de uma série chamada Ethereum Request For Comments. Daí o nome: ERC-20.

A ideia original para se criar essa padronização veio de Fabian Vogelsteller que, no ano de 2015, teve a ideia de apresentar bases comuns para projetos que viriam a seguir que fossem capazes de oferecer interações entre tokens e DApps que se encontram na rede Ethereum.

Para além da facilidade na interação entre projetos, essas diretrizes também significam uma ajuda a quem participa desse mercado na figura de desenvolvedor, já que alguns passos simplesmente não precisam ser pensados do zero, podendo serem adaptados de acordo com aquela base definida.

Quais as características de um token ERC-20?

Até então falamos que o token ERC-20 é aquele que está na rede blockchain Ethereum e tem uma base padronizada de informações. 

Mas o que compõe essa base de características comuns? São basicamente seis:

  • Função totalSupply: a quantidade total de tokens a serem disponibilizados deve ser conhecida e, chegando a esse limite, a oferta não pode ser aumentada;
  • Função balance0f: é preciso que esteja bem identificado qual a oferta inicial disponível em cada endereço cripto que fizer parte da rede; geralmente essas contas são as das pessoas que participaram do ICO;
  • Funções transfer e transferFrom: assim como precisa estar bem definida a quantidade inicial de tokens distribuídos, também é preciso que essas unidades possam ser transferidas entre endereços diferentes;
  • Funções approve e allowance: lembra do que comentamos sobre contratos inteligentes? Então: essa característica significa que as aprovações dos processos que envolvam um token ERC-20 sejam realizadas por meio desses contratos; approve é para aprovar a transação e allowance para verificar se há saldo para que ela seja realizada.

De maneira ampla, portanto, podemos chamar de token ERC-20 aquele token que tiver nome e símbolo definidos, oferta total conhecida, controle de saldo dos endereços cripto e também a possibilidade de que sejam transferidos entre usuários, tudo isso ao mesmo tempo.

Como funciona um token ERC-20?

Aqui surge uma informação que pode ser surpreendente: o ETH, moeda nativa do Ethereum, não é um token ERC-20. Isso ocorre porque nos tokens ERC-20 existe a necessidade de que as relações sejam tocadas por meio de contratos inteligentes e, com essa moeda nativa, isso não acontece.

Ainda assim existe uma relação entre o funcionamento dos tokens ERC-20 e o ETH: para que uma pessoa possa enviar e receber esse tipo de token, é preciso que tenha alguma quantia depositada em ETH na rede. Isso acontece porque a cada transação existem as taxas cobradas – que no caso da rede Ethereum são chamadas de “gas”.

Então, de maneira bastante direta, os tokens ERC-20 além de apenas operarem dentro da rede blockchain Ethereum, fazem isso especificamente por meio de contratos inteligentes que definem toda a transação.

Importante apontar que, como funcionam apenas com base em contratos inteligentes, não é possível realizar a mineração de tokens ERC-20. É justamente por isso que, quando falamos sobre a oferta conhecida e a informação sobre as quantidades disponíveis em cada endereço cripto, também citamos o ICO: é nesse momento que essa oferta é definida e apresentada para a comunidade cripto.

Vantagens e desvantagens dos tokens ERC-20

Tokens ERC-20 apresentam um conjunto enorme de possibilidades e, dentro delas, temos vantagens e pontos de atenção.

Primeiramente, a respeito das vantagens podemos destacar que esses tipos de token:

  • Criam uma base comum, além de facilitar para quem desenvolve projetos nessa área o encaminhamento de novas ideias; também cria-se a facilidade para quem utiliza esses projetos, afinal, fica mais fácil de interagir e usar funções combinadas entre projetos diferentes;
  • Flexibilidade: não se prenda à impressão de que criar padrões reduz a criatividade; existem projetos das mais utilidades possíveis dentro dos tokens ERC-20, tendo apenas como ligação essa base em comum;
  • A partir dessa definição de tipo de token, a utilização da rede blockchain Ethereum aumentou consideravelmente, tanto pela facilidade de colocar em operações novos projetos (em relação a outras redes que não têm base comum definida) quanto pelo interesse das pessoas nesses novos tokens.

Como tudo na vida e também no universo cripto, também é preciso olhar com atenção as desvantagens:

  • A operação por contratos inteligentes significa que os passos aconteceram com base no ‘script’ das definições do smart contract, mas não garante por exemplo que bugs sejam encontrados nesses códigos, o que pode afetar a segurança das transações;
  • Com muitos projetos, mais necessidade de observar com calma cada um deles: não é porque existe uma base comum e um projeto se parece muito com outro que você fica imune a problemas; então, verifique com cuidado cada projeto!
  • Baixa escalabilidade em função do uso da rede: a popularização desse tipo de token fez com que o uso da rede da Ethereum subisse muito e, em função disso, lentidão e aumento nas taxas têm sido problemas muito apontados pelas pessoas que utilizam esses tokens.

Entre a padronização e a liberdade estão os tokens ERC-20

Um dos aspectos que mais chamam a atenção sobre o uso das criptomoedas é o questionamento sobre o quanto as pessoas se interessam por usar determinados projetos. Quando paramos para pensar no quanto os tokens ERC-20 fizeram aumentar o uso da rede blockchain Ethereum, se por um lado isso aumentou o tempo de transação e as taxas, por outro chama a atenção para o fato de que o uso dessa rede “caiu no gosto” das pessoas e da comunidade cripto.

Existem riscos e limitações que são aperfeiçoadas a todo momento, mas certamente podemos afirmar que, independente de casos de sucesso ou fracasso dentro desse grupo de tokens (que inclui por exemplo Tether, Chainlink e Chiliz), muitas pessoas passaram a prestar atenção e eventualmente gostar de usar a estrutura da Ethereum.

Não sabemos se você achou mais vantajoso ou desvantajoso esse tipo de token, mas recomendamos que, pesquisando mais sobre projetos em específico ou sobre diversos outros aspectos do universo cripto, você siga aproveitando os conteúdos aqui do Blog da Bitso!

Graduado em Ciências Sociais (UFRGS) e em Ciências Econômicas (UFRGS), mestre e doutor em Ciência Política (UFRGS). Entusiasta de tecnologia blockchain e do mercado de criptoativos desde 2020, está na Bitso desde janeiro de 2021, atuando como Content Marketing Strategist.