Imagem de um gráfico em pizza dividido representando o mercado fracionário

Saiba o que importa sobre mercado fracionário

Toda vez que o assunto dinheiro surge é possível que você ouça alguém dizer que “investir é pra quem tem muito dinheiro”. Mesmo que você tenha um pouco, acaba ouvindo coisas desse tipo e até desanima. Neste artigo vamos te mostrar que a situação é diferente dessa frase batida e, na verdade, com uma quantidade menor do que se imagina, já é possível investir.

Aqui vamos falar sobre o mercado fracionário, que é uma das maneiras mais diretas de se democratizar o investimento em ações. Vamos lá!

O que é mercado fracionário?

As possibilidades existentes no mercado financeiro são diversas para que quem investe possa ter formas de fazer seu dinheiro render. Uma delas, talvez a mais conhecida, seja quando você adquire um pedacinho da empresa, comprando uma ação dela.

Ação é a menor parte de uma empresa. A partir do momento em que há a compra, passa-se a fazer parte da sociedade dela. Com isso, os resultados da empresa passam, de acordo com aquela quantidade de ações, serem também seus resultados – seja com a variação de cotações da ação ou mesmo distribuição de lucros dela, os dividendos.

Antes mesmo de seguirmos adiante, vale apontar aqui rapidamente o que são os dividendos. Quando uma empresa apresenta resultado financeiro positivo (lucro), ela pode optar entre fazer uma das seguintes duas coisas (ou as duas em conjunto): reinvestir os recursos em seus projetos internos ou distribuir resultados aos acionistas. Dividendos são, então, os recursos financeiros recebidos pelos acionistas quando a empresa decide distribuir esses lucros.

Voltando ao meio tradicional de negociação de ações, temos que, inicialmente, a ideia é que essa compra de ações aconteça por meio de lotes que reúnem um certo número de ações, geralmente sendo esses lotes contidos por 100 ações cada. Isso, certamente, complica a entrada do pequeno investidor.

Mercado fracionário nada mais é do que a abertura de uma possibilidade de comprar ações em quantidades menores do que a de um lote completo. Imaginando lotes de 100 ações, por exemplo, seria possível comprar entre uma e 99 e não mais apenas de cem em cem. Certamente isso faz diferença para esse custo inicial de entrada.

Como funciona o mercado fracionário?

Um exemplo ajuda muito a entender. Pensemos por exemplo nas ações da Suzano Papel (de código, ou ticker, SUZB3), que tinham cotação ao redor de R$55,00 em janeiro de 2021.

Vamos a duas possibilidades: a compra por lotes, com o mínimo de 100 ações por lote, ou a compra de cada unidade de ação dentro do mercado fracionário.

Cada lote de 100 ações de SUZB3, levando em conta a cotação de R$55,00, tem o custo de R$5.500,00 mais os custos envolvidos nessa transação. Pode ser que você tenha interesse em comprar ações dessa empresa, mas não tenha dinheiro o suficiente, então pode ir para o mercado fracionário.

Para isso, basta procurar o ticker da ação com um F na frente (neste caso, SUZB3F) e comprar quantas ações desejar, no número que você desejar. Importante apontar aqui que pode existir um spread aqui entre as ações do mercado tradicional e as fracionadas. 

Mas, vamos supor que essa diferença seja pequena e a ação tenha a cotação, no mercado fracionário (a SUZB3F), de R$55,03. Se você quiser, pode comprar desde apenas uma ação (pagando essa cotação mais as taxas) quanto um número baixo de ações que, por exemplo, dê destino a grana que você tenha em mente de investir.

Saindo do exemplo e colocando em outras palavras: o mercado fracionário permite, como seu nome sugere, comprar partes de um lote, o que significa que o preço para entrar será bem mais acessível do que se você fosse comprar um ou mais lotes todos de uma vez.

Mercado fracionário vs Mercado tradicional

A separação entre os tickers (o F no final que tem no fracionário e não tem no tradicional) não vem sem motivo: apesar de serem ações de uma mesma companhia e poderem ser compradas nos mesmos lugares/corretoras, os mercados existentes são diferentes.

Quem negocia lote está comprando e vendendo conjuntos fechados de ações (por exemplo de cem em cem), enquanto quem faz seus negócios dentro do mercado fracionário está comprando e vendendo as chamadas ações fracionadas.

Os direitos de quem passa a deter as ações são basicamente os mesmos, sendo diferentes os códigos delas, a quantidade negociada e, na grande maioria dos casos, os preços (já que, como afirmamos, há um spread entre os valores das duas cotações).

É importante frisar que as ações adquiridas no mercado fracionário são da mesma empresa mas negociadas de maneira diferente porque de fato isso tem relação direta com a liquidez de cada um desses mercados.

Por liquidez entenda: é a facilidade de comprar e vender algo. Enquanto no mercado de lotes estão investidores com maior poder aquisitivo, que podem comprar ações em quantidades maiores de acordo com esses lotes, no mercado fracionário as unidades de ações são diluídas até o mínimo de uma de cada vez – o que chamamos de ações fracionadas.

A separação entre os dois tickers facilita as operações de ações da empresa de maneira ampla, pois “coloca em conversação”, de acordo com o poder de compra/investimento, cada um com seu cada um. 

Quem vende quinze ações procura quem na outra ponta quer quinze ações (ou agentes que somam até totalizar isso); quem quer comprar dois lotes de ações é colocado para negociar com quem está vendendo ações também aos lotes. Colocar os dois na mesma “mesa” poderia travar tudo: imagine querer vender dois lotes de cem ações e ter de juntar pessoas para isso, ou mesmo querer comprar vinte ações e ter de fracionar “manualmente” um lote, já pensou?

Vantagens do mercado fracionário 

Até então você já deve ter compreendido que este mercado tem o objetivo de atrair o pequeno investidor, aquele que tem menor capital para começar a investir. Que tal listar todas as vantagens então? Aí vai: 

  • Possibilidade de diversificar a carteira com baixo custo inicial: chega da ideia de que comprar ação é para quem tem muito dinheiro; é possível estar em mercados diferentes tendo comprado apenas poucas ações de algumas empresas;
  • Entender o mercado de renda variável de maneira prática: uma coisa é ver os gráficos todos e estudar, outra é colocar a mão na massa; podendo fazer isso com menos dinheiro, dá pra “experimentar” (com toda cautela e preparação possível) com valores menores e ver na prática como a coisa toda funciona;
  • Facilita o hábito de investir: possivelmente você já ouviu algo sobre ser saudável criar um hábito de investir; sendo possível fazer isso com valores menores, fica bem mais fácil “encaixar” no orçamento mais vezes do que se fosse preciso desembolsar uma quantia maior todas as vezes;
  • Rendimentos viram mais rendimentos, devagar e sempre: imaginando que a diversificação que você faça te traga rendimentos, você pode ir comprando e vendendo ações de maneira recorrente de modo a buscar mais rendimentos – novamente sem precisar de enormes aportes, compras ou vendas todas as vezes.

Para resumir os pontos acima, basta lembrar que a ideia aqui é que o pequeno investidor tenha possibilidade de entrar na bolsa. Tudo que ajuda quem quer investir mas não tem muitos recursos iniciais está no mercado fracionário. Ou, bem, quase tudo.

Desvantagens do mercado fracionário

Infelizmente, como basicamente tudo na vida, não existem apenas vantagens. O melhor caminho para tomar boas decisões envolve entender os prós e contras. Vamos então aos pontos de desvantagem do mercado fracionário:

  • Liquidez diferente (e geralmente menor) do que no mercado tradicional: a ideia de separar quem compra e vende lotes de quem negocia ações em números reduzidos, se por um lado democratiza o acesso, por outro faz com que exista necessidade de um “encontro mais específico” entre compradores e vendedores para que as transações aconteçam de fato no mercado fracionário;
  • Spread maior entre compra e venda: em função dessa liquidez geralmente menor, “cobra-se” um preço maior para sair de uma operação; isso tem efeito principalmente em operações de curto prazo, em que o que se paga para comprar e o que se recebe quando se vende uma ação costuma tende a ter uma diferença maior;
  • Gasto com corretagem é proporcionalmente maior: a cada vez que você executa ordens de compra e venda, a corretora busca a outra ponta para efetivar a transação e, com isso, te coloca um custo; quanto menor for o número de ações, mais caro será em termos proporcionais.

O custo por transação pode pesar no bolso

Esse último ponto demanda um exemplo para ficar mais fácil de entender. Vamos pegar mais uma vez as ações da Suzano (SUZB3 a R$55,00 e SUZB3F a R$55,03). Temos duas pessoas investindo: A, que compra dois lotes de cem ações cada e B, que compra 25 ações. Para facilitar, temos uma taxa de corretagem igual para os dois, de R$4,00 por operação.

Na compra dos dois lotes, Pessoa A desembolsa R$11.004,00, sendo R$11.000,00 referentes a todas as 200 ações (dois lotes de cem unidades) e R$4,00 da corretagem. Assim sendo, a corretagem representou 0,03635% do custo total da operação.

Já a Pessoa B, para fazer a aquisição de 25 ações, desembolsa um valor total de R$1.379,75, sendo R$1.375,75 em relação a todas as ações adquiridas e os mesmos R$4,00 da corretagem. Porém, agora a proporção desse custo de corretagem fica consideravelmente maior: 0,2899%.

A porcentagem nos dois casos pode parecer pequena, mas o custo de corretagem nesse breve exemplo que apresentamos fica quase oito vezes (7,98, para ser mais exato) no mercado fracionário do que no mercado integral. E mesmo, considerando uma taxa zero de corretagem, como já ocorre em algumas corretoras, ainda assim o spread do mercado fracionário tem impacto no valor final desembolsado.

De qualquer formas, esse exemplo apresentado é apenas uma operação de compra. Agora imagine embutir em todas elas – da venda disso, das próximas compras e vendas – um custo várias vezes maior. No fim das contas, isso vai diminuir ao longo do tempo seus retornos. É preciso se atentar a isso quando o assunto for a compra e venda de ações fracionárias!

Como comprar ações fracionárias?

São simples os passos para comprar ações fracionárias:

  1. Abra uma conta em uma corretora que transacione ações;
  2. Mande dinheiro para sua corretora;
  3. Procure pelo ticker (o código) da ação que você deseja; não se esqueça de colocar o F na frente (indicando que o desejo é de comprar ações no mercado fracionário);
  4. Execute a transação e passe a deter aquelas ações em sua carteira.

A partir desse momento, seguindo esses passos, você terá ações fracionadas em sua carteira de investimentos. Frisando uma vez mais que o mercado fracionário e o tradicional/integral têm negociações diferentes, então, do mesmo jeito que para a compra é preciso procurar o ticker com F, na venda também é necessário colocar a letra identificando negociação neste mercado.

No fim das contas, vale a pena?

Tudo irá depender aqui do perfil de investimento que você tenha e de como se encontra em relação ao mercado financeiro. 

O mercado fracionário é mais indicado para quem tenha perfil arrojado (que busque diversificação na renda variável com ações) e ainda esteja começando a investir.

Com o tempo, entendendo melhor os mecanismos e tendo mais recursos, é possível “migrar” para a negociação por lotes. Para isso, basta ter a disciplina de investir com regularidade e estudar as empresas e seus negócios sempre antes de tomar suas decisões.

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